Merkel mantém política de refugiados apesar de mau resultado eleitoral

Chanceler fala num "dia difícil" para a CDU com a entrada da direita populista anti-imigração em três parlamentos regionais

Os eleitores alemães castigaram a União Democrata-Cristã (CDU) pela política de portas abertas aos refugiados de Angela Merkel, dando ao partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) um resultado histórico nas regionais de Alta Saxónia, Bade-Vurtemberga, e Renânia-Palatinado. Mas a chanceler já deixou claro que isso não vai representar uma mudança de política, quer a nível nacional quer internacional. Isto numa altura em que tenta convencer os parceiros europeus a assinar um acordo com a Turquia para travar o fluxo de migrantes que entram no continente.

"Temos de admitir que o dia de ontem [domingo] foi um dia difícil para a CDU", disse Merkel numa conferência de imprensa. "Sem dúvida que já percorremos um longo caminho para resolver a crise dos refugiados, mas ainda não temos uma solução sustentável. Estou segura de que precisamos de uma solução europeia e de que essa solução precisa de tempo", acrescentou. Antes, já o seu porta-voz, Steffen Seibert, indicara aos jornalistas: "O governo federal vai manter a sua política em relação aos refugiados a nível nacional e internacional."

Uma decisão que já tinha sido antecipada pelo tabloide Bild, que no editorial de ontem falou numa "derrota esmagadora" para Merkel que provavelmente não iria mudar a política de refugiados. A consequência será uma divisão entre os conservadores. "É aí que reside o verdadeiro perigo para Merkel. Nenhum chanceler conseguiu governar contra o seu partido por muito tempo", lia-se. Mas o Frankfurter Allgemeine Zeitung questiona simplesmente: "Quem na CDU quereria e poderia contrariá-la?"

Horst Seehofer, líder da CSU (os aliados bávaros da CDU) que se opõe à política de refugiados de Merkel, considerou que a resposta à derrota eleitoral "não pode ser: continuamos como até agora". O vice-chanceler Sigmar Gabriel, dos sociais democratas do SPD (que também perdeu votos), prometeu fazer de tudo para manter o centro democrático estável. "Não vamos correr atrás dos populistas", afirmou o parceiro de coligação de Merkel.

A CDU perdeu votos em todas as regiões (entre 2,7 e 11 pontos percentuais), mas foram os ganhos da AfD que surpreenderam. Na Alta Saxónia, a formação de direita eurocética e anti-imigração, nascida em 2013, tornou-se na segunda força mais votada, conquistando 24,2% dos votos. Em Bade-Vurtemberga e na Renânia-Palatinado,a AfD tornou-se na terceira força, com 15,1% e 12,6%, respetivamente.

Frauke Petry, líder da AfD, alega que o resultado é fruto de "problemas fundamentais na Alemanha" e que é necessário avançar para um referendo sobre o euro e "falar sobre a política de migração porque é algo que pode mudar o país".

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