Merkel acalma pressão e diz que não é preciso pressa

A chanceler alemã rema contra a maré nos discursos europeus sobre o Brexit

Angela Merkel procurou hoje acalmar a pressão ouvida nos discursos dos dirigentes europeus, inclusivamente do seu próprio governo, sobre o Brexit e a urgência de desencadear o processo, ao dizer que não há pressa para efetivar o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, decidido no referendo de quinta-feira.

Praticamente sozinha, a remar contra a maré, a chanceler alemã deixou claro, em conferência de imprensa, que não iria pressionar o primeiro-ministro britânico David Cameron depois de este ter dito, ontem, quando anunciou a demissão, que o Reino Unido não iria avançar para o Brexit antes de outubro.

Ao anunciar a sua resignação, Cameron afirmou que deverá ser o seu sucessor a liderar as negociações ao abrigo do artigo 50º do Tratado de Lisboa, que estabelece um prazo de dois anos para o processo de saída.

"Sinceramente, não deve demorar anos, é verdade, mas também não me vou bater por um enquadramento a curto prazo", afirmou, defendendo que as negociações devem decorrer num bom ambiente e garantindo que o Reino Unido continuará a ser um parceiro próximo, "ao qual estamos ligados economicamente".

Angela Merkel surgiu assim, mais conciliadora que o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que esta manhã, afirmou que os países fundadores da União Europeia concordam que Londres não deve demorar a iniciar os procedimentos de saída da União Europeia. "Estamos unidos na afirmação de que este processo deve iniciar-se tão depressa quanto possível, para que não nos vejamos num limbo prolongado e possamos focar-nos e trabalhar no futuro da Europa", afirmou Frank-Walter Steinmeier.

O governante, anfitrião em Berlim da reunião ao nível dos chefes da diplomacia dos seis países fundadores da União, também realçou que a União Europeia não pode entrar em depressão e paralisar".

O seu homólogo francês, Jean-Marc Ayrault, afirmou, pelo seu lado, ser urgente que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que na passada sexta-feira disse que se demitirá em Outubro, abra o caminho para uma nova liderança que conduza a transição para a saída do Reino Unido da União.

"Deve ser designado um primeiro-ministro, isso demora alguns dias", afirmou aos jornalistas.

Steinmeier, Ayrault, o holandês Bert Koenders, o italiano Paolo Gentiloni, o belga Didier Reynders e o luxemburguês Jean Asselborn defenderam, no entanto, que esse tempo deve ser reduzido.

"Compreendemos e respeitamos o resultado [do referendo] e percebemos que o Reino Unido está agora concentrado em si mesmo", afirmou Steinmeier ao lado dos seus homólogos.

"Mas Londres tem responsabilidades que vão para além do Reino Unido. Nós devemos poder agora focar-nos no futuro da Europa e isso significa que, depois da decisão de saída tomada no Reino Unido, o processo relativo a essas negociações deve começar", acrescentou.

As instituições europeias também manifestaram urgência neste assunto e já estão a estudar os mecanismos possíveis para acelerar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Os presidentes das três instituições europeias - Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho Europeu - querem que o processo seja desencadeado "o mais rapidamente possível".

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