Membros do futuro governo contradizem Trump no Senado

Escolhas para a Defesa e CIA consideram Rússia uma ameaça. Espião que escreveu dossiê sobre ligações a Moscovo está escondido

Os membros da futura Administração enfrentam por estes dias as audiências de confirmação no Senado e já houve pelo menos três que entraram em contradição com o que Donald Trump defende. Em causa estão declarações principalmente sobre a Rússia, um tema que se tornou central a poucos dias da tomada de posse do republicano depois da divulgação de um dossiê sobre as suas alegadas ligações a Moscovo. O autor do dossiê, identificado pelo Wall Street Journal como o ex-espião britânico Christopher Steele, encontra-se em parte incerta.

"Agora o mais importante é reconhecer a realidade com a qual estamos a lidar com [o presidente russo Vladimir] Putin e reconhecermos que ele está a tentar quebrar a NATO e tomarmos medidas, integradas, diplomáticas, económicas, militares, e dentro da Aliança, trabalhando com os nossos aliados, para nos defendermos onde pudermos", disse o general na reforma James Mattis, o escolhido de Trump para assumir a pasta da Defesa.

Lembrando que os EUA não deixaram de lidar com a Rússia durante os tempos da Guerra Fria, Mattis disse apoiar o desejo do presidente eleito de dialogar com Moscovo. Contudo, os EUA "devem defender-se se a Rússia escolher agir contra os nossos interesses", acrescentando que o país enfrenta o "maior ataque desde a II Guerra Mundial". Também Mike Pompeo, futuro líder da CIA, considerou que a Rússia representa uma ameaça na Europa e está "a afirmar-se de forma agressiva" na Ucrânia.

Na véspera, tinha sido o Rex Tillerson, futuro secretário de Estado, a adotar uma posição mais crítica em relação à Rússia que o presidente eleito. No Senado, não só condenou a intervenção na Ucrânia, como defendeu que esta, mesmo não sendo da NATO, deveria ter recebido armas para se defender. "A Rússia deverá ser responsabilizada pelas suas ações", indicou Tillerson.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Trump admitiu que a Rússia estará por detrás da pirataria informática ao Partido Democrata durante a campanha. Ontem, Pompeo reiterou que "é bastante claro" que Moscovo foi responsável. "É algo que algo que a América precisa de levar a sério." Trump encarregou ontem o ex-presidente da câmara de Nova Iorque, Rudy Giuliani, que tem atualmente uma consultora de cibersegurança, de formar uma equipa para estudar o tema da pirataria informática.

Por outro lado, os futuros responsáveis da Defesa e da CIA mostraram-se "muito confiantes" em relação aos serviços de informação dos EUA, criticados por Trump por terem divulgado a existência de um dossiê que alega que Moscovo tem informações comprometedoras contra o presidente eleito. Tanto o republicano como o Kremlin negaram a existência de tal material - recolhido por um ex-agente dos serviços secretos britânicos (MI6) que esteve destacado vários anos na Rússia e desde 2009 tem uma empresa privada de investigação - com Trump a atacar os media por divulgarem "notícias falsas". Segundo o presidente eleito, o próprio responsável do FBI, James Clapper, disse-lhe que o dossiê era "falso e fictício".

Steele, que ajudou o FBI na investigação à corrupção na FIFA, era considerado uma fonte credível pelos serviços de informação. O dossiê que terá escrito (Steele está incontactável em parte incerta e o sócio, Christopher Burrows, não confirma nem desmente a autoria do documento) foi encomendado por adversários de Trump nas primárias republicanas, sendo depois pago por democratas. Os media divulgaram-no apesar de as informações não poderem ser comprovadas.

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