May quer que sejam as "reformas sociais" a definir o seu legado

A chefe do governo britânico reuniu ontem pela primeira vez o conselho de ministros. Boris Johnson encontrou-se com John Kerry e terá baralhado o Egito com a Turquia

Ainda que de forma pálida, defendeu o bremain durante a campanha para o referendo, mas, ontem, sublinhou perante o governo que o brexit representa uma "grande oportunidade" e que "todos os membros do executivo são responsáveis" por garantir que o divórcio da União Europeia seja um "sucesso". Esta foi uma das principais mensagens que Theresa May, a primeira-ministra britânica, fez ontem passar durante o primeiro conselho de ministros do seu reinado em Downing Street.

"Temos pela frente o desafio do brexit e brexit significa brexit. Vamos conseguir que seja um sucesso e vamos fazê-lo definindo um novo papel para o Reino Unido no mundo. Mas não seremos um governo que ficará apenas definido pelo brexit", afirmou Theresa May, entalada entre Boris Johnson, responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, e Jeremy Heywood, ministro Adjunto.

Para Andrew Grice, editor de política do diário The Independent, Theresa May "está no mundo da fantasia se acredita que será outra coisa além do brexit a definir o país e o governo enquanto ela estiver no poder".

A nova primeira-ministra britânica pretende que a sua legislatura fique marcada pelas "reformas sociais" e "pela aposta na educação". May sublinhou que a justiça social será sempre central na atuação do governo. "A política não é um jogo", avisou a sucessora de David Cameron. "As decisões que tomamos à volta desta mesa têm impacto na vida das pessoas", acrescentou.

Dos 27 membros do governo com assento no conselho de ministros apenas cinco mantêm os cargos que já ocupavam com David Cameron.

Durante a reunião, que durou 90 minutos, ficou definido que Theresa May irá ocupar-se pessoalmente de três novas comissões ministeriais, uma sobre o brexit, outra dedicada à economia e uma terceira que se ocupará das reformas sociais.

Hoje, depois de responder no parlamento às questões da oposição, a primeira-ministra britânica viajará para Berlim onde irá encontrar-se com a chanceler alemã Angela Merkel. Uma porta-voz de Downing Street confirmou que as líderes dos dois países irão discutir o brexit, apesar de os responsáveis europeus insistirem que não haverá lugar a negociações antes de o artigo 50 do Tratado de Lisboa ser ativado, algo que, segundo a própria Theresa May, não deverá acontecer até ao final de 2016.

Amanhã, quinta-feira, a chefe do governo britânico encontrar-se-á em Paris com o presidente francês, François Hollande.

Depois de ter estado presente no conselho de ministros, Boris Johnson esteve reunido com John Kerry, o secretário de Estado norte-americano.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro - a primeira de Boris Johnson em Londres desde que assumiu a chefia da diplomacia -, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros foi bastante apertado pela comunicação social. Os jornalistas não se cansaram de tentar que o ex-mayor de Londres pedisse desculpa pelos insultos que no passado dirigiu a alguns dos atuais líderes mundiais, nomeadamente a Barack Obama, que chegou a definir como "em parte queniano e em parte hipócrita".

Johnson preferiu responder com uma nota de humor. "Podemos ficar aqui a rever tudo aquilo que escrevi ao longo de trinta anos, mas esse itinerário mundial de pedidos de desculpa iria demorar muito tempo", referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, sublinhando, no entanto, que muitas vezes as suas palavras foram retiradas do contexto.

John Kerry disse que será impossível assinar um acordo comercial entre os EUA e o Reino Unido antes da concretização do brexit, mas que as conversas informais começarão antes. "Quero redesenhar o perfil britânico e fazer com que nos tornemos uma nação ainda mais global e mais ativa no palco mundial", sublinhou Boris Johnson.

De acordo com o The Guardian, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros referiu-se por duas vezes à "emergente crise no Egito" quando queria dizer Turquia. Mais uma gaffe de Boris?

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