Massacres de jovens em massa. O novo drama da Colômbia

Em menos de uma semana, pelo menos, 16 jovens foram brutalmente assassinados numa região controlada por dissidentes das FARC e milícias paramilitares.

A pandemia impede a realização de festivais e um grupo de cerca de 50 jovens, muitos deles universitários, decidiu reunir-se na noite de sábado (15 de agosto) numa fazenda para ouvir música, dançar e beber uns copos. Ao mesmo tempo que comemoravam o aniversário de um amigo, recordavam o Festival de Bandas. Estavam cansados de um longo confinamento, só queriam divertir-se. Mas ainda mal a noite tinha começado, foram surpreendidos com a visita de homens armados que indiscriminadamente dispararam sobre eles, matando 9 pessoas. Um massacre a juntar à morte de mais sete jovens, na mesma semana e sem qualquer explicação, que está a deixar a Colômbia em estado de choque.

Este último assassinato em massa ocorreu em Samaniego, Nariño, e vem juntar-se a outras duas tragédias que levaram a vida a gente muito nova, a maior parte menores de idade. Na última semana, 16 jovens foram assassinados numa região em que dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-FARC e milícias paramilitares disputam as rotas do narcotráfico.

A festa na fazenda corria normalmente até que uns barulhos começaram vindos de locais próximos começaram a preocupar os convivas. Entretanto, chegaram quatro pessoas em duas motos. E o que se passou a seguir é um autêntico filme de terror: ainda não eram 11 da noite quando começaram a disparar sobre os jovens, conta o El Tiempo. Alguns sucumbiram no local, outros conseguiram fugir e esconder-se. As vítimas tinham entre 17 e 26 anos.

Esta matança acontece poucos dias depois de cinco jovens terem sido encontrados mortos - os corpos foram descobertos, com sinais de tortura, num campo de cana-de-açúcar atrás do bairro Llano Verde, em Cali, capital do Valle del Cauca. Eram todos menores, tinham entre 14 e 15 anos.

O presidente da Colômbia condenou o massacre e anunciou que iria enviar o Exército e a Polícia para a região de Samaniego. "Ordenei aos generais Eduardo Zapateiro e Jorge Vargas que permaneçam lá. Vamos investigar a fundo e descobrir os autores deste massacre."

Mas o presidente não deixou de receber críticas do colombianos, porque nos posts a condenar os assassinatos de jovens colocou a hashtag #SemanaJoven. A expressão foi considerada infeliz, já que a semana foi tudo menos boa para os jovens. É que além destes dois assassinatos em massa, na segunda-feira, 10, foi conhecida o homicídio de dois estudantes, de 12 e 17 anos, por paramilitares - como não há aulas presenciais por causa da pandemia, iam entregar trabalhos a uma professora.

Mais de 4000 assassinatos coletivos

Segundo o El País, Cauca y Nariño são duas das zonas mais massacradas pelos grupos paramilitares e dissidências das FARC que disputam entre si as rotas do narcotráfico. Ao mesmo tempo, trata-se de regiões altamente militarizadas, razão pela qual os colombianos pedem às autoridades que reveja a sua política militar perante estes acontecimentos.

Os assassinatos coletivos assolam a Colômbia há anos. Segundo o Centro Nacional de Memória Histórica, grupos paramilitares de direita e guerrilheiros mataram 24 447 pessoas em 4210 massacres, entre 1958 e 2018. Pensava-se que depois do acordo de paz de 2016 com as FARC, agora convertidas em partido político com representação parlamentar, o Estado chegasse às zonas mais afetadas. Em 2019, de acordo com a Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, em 2019 registou a cifra mais alta de massacres desde 2014: 36 massacres em que morreram 133 pessoas.

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