Marine Le Pen pede empréstimo de seis milhões de euros ao pai

Apesar de uma relação conturbada, Jean-Marie Le Pen deu o dinheiro à filha para financiar a sua campanha às presidenciais.

A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, pediu emprestado seis milhões de euros ao pai, Jean-Marie Le Pen, o fundador do partido de extrema-direita. O dinheiro será usado para financiar a campanha para as presidenciais de abril de 2017. O empréstimo foi revelado pelo jornal Le Parisien e confirmado pela AFP.

A relação entre pai e filha tem sido conturbada, especialmente desde que Marine expulsou o pai do partido, em agosto de 2015, depois de declarações polémicas do fundador e antigo líder (1972-2011) sobre o Holocausto. Jean-Marie Le Pen continua contudo a ser presidente honorário da Frente Nacional.

Segundo o diretor de campanha de Marine Le Pen, David Rachline, a candidata vai pedir emprestados "seis milhões de euros a Jean-Marie Le Pen", através do micropartido que este fundou em 1988, o Cotelec (abreviatura de contribuição eleitoral). O dinheiro será pago em "várias tranches", acrescentou o responsável, dizendo que o acordo foi concluído há meses.

Jean-Marie Le Pen, que é eurodeputado, tinha dito no outono que tinha emprestado esta soma de dinheiro à Frente Nacional, para financiar a campanha presidencial, mas os líderes do partido recusavam até agora confirmar publicamente essa informação, reconhecendo apenas que havia "discussões" sobre o tema.

Segundo os media franceses, Marine Le Pen tem dificuldade em financiar a campanha, com os bancos franceses a recusarem emprestar-lhe os 12 milhões de euros que são necessários para as presidenciais, além dos 17 milhões que serão precisos para as legislativas, que serão em junho.

Em todas as sondagens, Marine Le Pen surge como sendo capaz de passar à segunda volta das presidenciais (prevista para maio), num duelo final com o candidato da direita, François Fillon. Em alguns cenários, surge mesmo à frente deste na primeira volta.

A esquerda vai escolher o seu candidato nas primárias de 22 e 29 de janeiro, havendo contudo candidaturas independentes - como a do ex-ministro das Finanças Emmanuel Macron - que ameaçam tirar votos à esquerda. O presidente François Hollande não é candidato à reeleição.

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