Marine Le Pen criticada após declarações polémicas sobre o Holocausto

Candidata presidencial francesa nega responsabilidade do país na deportação de judeus durante a ocupação nazi

A candidata da extrema-direita às presidenciais francesas, Marine Le Pen, suscitou esta segunda-feira uma vaga de críticas e acusações de revisionismo ao negar a responsabilidade de França na deportação de judeus durante a ocupação nazi.

Cerca de 13.000 judeus foram deportados pela polícia francesa a 16 e 17 de julho de 1942, muitos dos quais estiveram detidos no estádio Vel d'Hiv, em Paris.

Ao todo, cerca de 75.000 judeus foram deportados de França para campos de concentração nazis durante a II Guerra Mundial. Apenas 2.500 sobreviveram.

"Penso que França não foi responsável por Vel d'Hiv", disse Le Pen, à frente nas intenções de voto na primeira volta, que se realiza a 23 de abril, numa entrevista a vários media divulgada no domingo.

O principal adversário de Le Pen, o centrista independente Emmanuel Macron, considerou que a candidata da extrema-direita cometeu "um erro grave".

"Por um lado, é um erro histórico e político. E, por outro, mostra que Marine Le Pen é filha de Jean-Marie Le Pen", disse Macron numa conferência de imprensa.

Jean-Marie Le Pen, pai da candidata da extrema-direita e fundador do partido que ela dirige, a Frente Nacional, foi condenado várias vezes por declarações antissemitas e racistas.

A filha, numa tentativa de não alienar eleitorado, adotou um discurso diferente e acabou por afastá-lo do partido.

O candidato socialista, Benoit Hamon, comentou a afirmação da adversária afirmando: "Quando Marine Le Pen não gosta da história, distorce-a".

"Se alguém tinha dúvidas sobre se Marine Le Pen é de extrema-direita, deixou de as ter", disse Hamon à RTL.

O candidato da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, considerou a declaração "normal numa pessoa que fez toda a sua educação política à sombra do pai" e o candidato da direita, François Fillon, advertiu para "o perigo" de suscitar este tipo de debate.

As declarações de Le Pen foram também criticadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel como "contrárias à verdade histórica", tal como tem sido "expressada nas declarações de sucessivos presidentes franceses que reconheceram a responsabilidade de França no destino de judeus franceses que morreram no Holocausto".

Marine Le Pen emitiu mais tarde um comunicado em que especifica que "considera que França e a República estavam em Londres" e "o regime de Vichy não era França".

A candidata afirmou ainda que foi esse o entendimento dos presidentes franceses até o ex-presidente Jacques Chirac (1995-2007) afirmar "erradamente" o papel do Estado na perseguição aos judeus durante a II Guerra Mundial.

Os dois candidatos mais votados na primeira volta das presidenciais passam à segunda, que se realiza a 7 de maio.

Segundo as sondagens, Le Pen e Macron deverão disputar a segunda volta, mas o número de indecisos é o mais elevado de sempre em França a duas semanas da votação: um em cada três.

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