Manto de poluição cobre Pequim e leva ao encerramento de escolas e voos cancelados

O nível de poluição é dezoito vezes mais alto do que o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde

Pequim está hoje coberto por um manto espesso e cinzento, com o nível de poluição dezoito vezes mais alto ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, resultando no encerramento de escolas e voos cancelados.

As autoridades chinesas emitiram um alerta vermelho, que abrange mais de vinte cidades do norte do país e 460 milhões de pessoas, pelas estimativas da organização ambientalista Greenpeace.

Na capital chinesa, a concentração de partículas PM2.5 - as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões - atinge os 450 microgramas por metro cúbico.

Em várias cidades próximas a concentração das partículas superou os 500 microgramas e em Handan, na província de Hebei, chegou a atingir os 1.000.

O nível máximo de concentração recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 25 microgramas por metro cúbico.

A imprensa estatal informou ainda que 169 voos com destino ou partida no Aeroporto Internacional de Pequim - o segundo mais movimentado do mundo - foram cancelados.

Partes do sexto anel, a mais longa estrada em torno de Pequim, foram também encerradas.

À semelhança de outras alturas em que uma vaga de poluição atinge a cidade, os hospitais registaram um 'boom' no fluxo de crianças com problemas respiratórios e prepararam equipas para lidar com os casos de alergias.

Fotografias difundidas pela imprensa chinesas mostram salas de espera cheias de pais com os filhos, cujas faces estão cobertas com máscaras antipoluição.

A China sofre frequentemente das piores vagas de poluição no mundo, devido à alta dependência do país da queima de carvão para produção de energia e produção fabril.

Pequim e outras cidades têm aprovado medidas para melhorar a qualidade do ar, substituindo o uso do carvão por gás natural.

O país continua, porém, a ser o maior emissor de gases poluentes do mundo e o principal produtor e consumidor de carvão.

Os governos locais, que se deparam com o aumento dos preços da energia, aumentaram este ano os limites de produção diária de carvão por várias vezes.

Desde que o alerta foi emitido, na sexta-feira passada, mais de 700 empresas pararam a produção em Pequim, enquanto os automóveis particulares circulam alternadamente, de acordo com o último número da respetiva matrícula: um dia pares; noutro ímpares.

Infantários e escolas de ensino básico e médio estão também aconselhadas pelo Governo a suspender as aulas e as empresas a adotar "um horário de trabalho flexível".

O alerta vermelho, o mais alto de um sistema de quatro cores, dura até quarta-feira.

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