Mais de 105 mil pessoas presas por violarem regras do confinamento

Quem chega ao Zimbabué tem de ficar três semanas em isolamento em instalações selecionadas e vigiadas pelo governo. Oposição acusa Emmerson Mnangagwa de exagerar nas medidas e convocou uma manifestação para 31 de julho.

Mais de 105 mil pessoas foram presas no Zimbabué desde março, por violar as regras do confinamento. Só nos últimos dois dias foram detidos cerca de mil cidadãos por "movimento desnecessário" ou por não usar máscaras em locais onde é obrigatório o uso de proteção facial. A polícia aposta na repressão para obrigar a população a cumprir as regras de isolamento social. "Vamos prender todos os que violarem as regras", avisou o porta-voz da polícia Paul Nyathi à televisão estatal.

Com pouco mais de 1500 infeções e 25 mortes, o país com mais de 15 milhões de habitantes suavizou as restrições ao fim de mais de três meses de confinamento, mas nem isso impediu as críticas ao governo. Emmerson Mnangagwa é acusado de exagerar nas medidas para atacar a oposição, que já convocou um protesto para dia 31 de julho para exigir que o presidente renuncie. Ele ameaça com mais detenções a quem sair à rua e violar as regras do desconfinamento.

Os cidadãos que chegam ao país são obrigados a ficar de quarentena durante três semanas em instalações selecionadas e vigiadas pelo governo. Segundo a polícia, 276 pessoas fugiram dos centros de quarentena, incluindo alguns que tiveram resultados positivos ao covid-19. Cerca de 30 cidadãos foram mesmo detidos e levados a tribunal por exporem as suas famílias e as respetivas comunidades ao vírus.

A polícia pretende intensificar os esforços para fazer cumprir os regulamentos, argumentando que muitas pessoas se tornaram displicentes e relaxadas. Algumas foram mesmo detida por criarem "bebedouros de cerveja" ilegais nos quintais.

Como na maioria dos países as medidas de controlo da pandemia, no Zimbabué, agravaram a crise económica e política do país. O governo espera que a economia se retraia em 4,5% este ano, enquanto a inflação anual pode subir 785% em junho.

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