Maduro promete lutar nas ruas se perder no domingo

Sondagens apontam para vitória da oposição nas legislativas.

O presidente da Venezuela garante que, se o chavismo sair derrotado nas legislativas de domingo, irá para as ruas em defesa da revolução. Um aviso que pode tornar-se realidade, pois as sondagens têm apontado para uma vitória da oposição. Mariano Rajoy, David Cameron e Hillary Clinton criticaram os excessos do regime e pedem respeito pela vontade do povo nestas eleições.

"Não me vou entregar sob nenhuma circunstância, sei que vamos triunfar, mas se surgir uma circunstância negativa irei para as ruas lutar com o povo, como sempre fiz, e a revolução passará a outra etapa", avisou Nicolás Maduro, na segunda-feira, durante uma ação de campanha em Caracas.

Uma mudança de discurso em relação ao que havia dito no passado dia 3, altura em que garantiu que iria respeitar os resultados "ganhe quem ganhe". "Os resultados que saírem da soberania popular para mim serão palavra sagrada", disse então.

Cerca de um mês depois, o líder venezuelano reconheceu que existem seguidores do chavismo que "estão chateados" e que "poderão cometer o erro de se castigarem a si mesmos se votarem na direita". Mas "depois não haverá arrependimento nem pranto que lhes valha. Se a direita conquistar a Assembleia Nacional não haverá arrependimento", prosseguiu.

A esmagadora maioria das sondagens aponta para uma vitória da oposição nas legislativas de domingo, nas quais mais de 19 milhões de eleitores irão escolher os 167 deputados da Assembleia Nacional. Um cenário inédito em 16 anos de chavismo, mas que não deverá ser suficiente para uma mudança de regime.

Segundo o jornal espanhol ABC, a oposição surge com uma vantagem entre 20 e 30 pontos, mas precisaria de "arrasar" nas urnas para conseguir uma maioria absoluta, enquanto os prognósticos apontam para que obtenha mais votos mas menos deputados do que o chavismo.

Um dos trunfos de Nicolás Maduro, que garante ter do seu lado um potencial de 6,5 milhões de eleitores "inscritos, certificados, visitados e contactados", é o esquema 1x10, com o qual cada militante do chavismo faz visitas porta-a-porta e angaria dez eleitores e se encarrega de que estes votarão no domingo.

O ministro da Defesa venezuelano anunciou na segunda-feira que 163 mil militares vão assegurar a segurança das eleições. "As Forças Armadas da Venezuela terão duas missões: uma, acompanhar o Conselho Nacional Eleitoral em todo o cronograma de eventos e distribuição de material tecnológico, na segurança das assembleias de voto e, além disso, exercer o direito a votar, que estava cortado aos cidadãos militares", disse.

Grito pela liberdade

Cinco figuras políticas mundiais mostraram ontem, através de uma carta aberta publicada no El País, a sua preocupação pelo estado da democracia na Venezuela e pediram a Nicolás Maduro para respeitar os resultados das legislativas de domingo.

Intitulada Venezuela grita liberdade e assinada por David Cameron (primeiro-ministro britânico), Mariano Rajoy (líder do governo espanhol), Thorbjørn Jagland (secretário-geral do Conselho da Europa), Felipe González (ex-primeiro-ministro espanhol) e Ricardo Lagos (antigo presidente do Chile), a missiva condena ainda as prisões arbitrárias de vários líderes da oposição.

Também Hillary Clinton, ex-secretária de Estado norte-americana e candidata à nomeação democrata para as presidenciais, pediu esta segunda-feira para que se respeite a "vontade do povo" e acusou o presidente venezuelano de ter feito "todos os esforços para viciar estas eleições".

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