Madrid despertou este sábado com regras mais apertadas

Jornais espanhóis falam num ambiente tranquilo, depois de uma noite de sexta-feira em que a movida madrilena não saiu à rua.

São quase cinco milhões de pessoas (4,7), em dez cidades da comunidade de Madrid, incluindo a própria capital: desde as 22h00 de ontem estão impedidas de sair do respetivo município, onde também não pode entrar quem não seja morador ou apresente uma das justificações previstas na lei .

De acordo com os jornais El País e El Mundo, na capital espanhola viveu-se neste dia, apesar de tudo, um sábado tranquilo, talvez com menos movimento, mas não muito diferente do que seria um fim de semana normal. Muito embora as recomendações das autoridades de saúde sejam no sentido de só sair de casa para atividades essenciais - ir trabalhar, ir à escola, ir ao médico -, não há proibições à circulação dos habitantes dentro do perímetro da cidade. Ou seja, não há confinamento em casa e as reuniões são permitidas até um máximo de seis pessoas. No caso de Madrid, as novas regras até representam um aligeirar de medidas em relação ao quadro legal que estava até agora em vigor em vários bairros da capital.

Mas já as saídas da cidade, que tem cerca de 3,5 milhões de habitantes, estiveram longe de um ambiente de normalidade, com piquetes da polícia a mandar parar os veículos que saíam e entravam na capital. Uma intervenção pedagógica: de acordo com a imprensa espanhola a polícia não pode, para já, multar quem não cumpra as regras do confinamento, dado o facto de as autoridades de Madrid terem levado as novas regras a tribunal, por considerarem que o Governo central está a interferir nas competências locais.

Com as regras em vigor desde as 22 horas de ontem, também a noite de sexta-feira foi atípica, com a tradicional movida madrilena a dar lugar a ruas quase vazias e bares fechados. Uma constante são as queixas dos comerciantes, sobretudo do setor da restauração e bares, que antecipam nova quebra de atividade. Nos hotéis, restaurantes, cafés e bares a capacidade permitida não pode exceder 50% no interior e 60% no exterior, e o consumo ao balcão passou a ser proibido. Estes estabelecimentos passam a fechar as portas às 22 horas, podendo manter-se em funcionamento mais uma hora para os clientes que estiverem no interior.

De acordo com os parâmetros definidos pelo Governo espanhol, têm de entrar em confinamento os municípios com mais de 500 casos covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias; com uma percentagem de positividade nos testes de diagnóstico acima de 10%; e uma ocupação de camas nas unidades de cuidados intensivos por doentes covid-19 acima de 35%.

A cidade de Madrid regista 780 casos por cem mil habitantes, quando a média no resto de Espanha é de 300 por cem mil - a mais elevada na União Europeia.

A diretiva que obriga ao confinamento das dez cidades da comunidade de Madrid foi emitida pelas autoridades centrais e aplicada a contragosto pela presidente da comunidade autonómica, Isabel Dyaz Ayuso (do PP), que entretanto recorreu para os tribunais, defendendo medidas que "se ajustem à normativa e à realidade" e sejam "objetivas e justas". Os desentendimentos entre Ayuso e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchéz são claros e assumidos:

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