Macron visita China e leva Brigitte e a sua 'Revolução'

Presidente quer iniciar novo ciclo com Pequim centrado numa maior presença no mercado chinês e numa parceria estratégica.

O livro com que Emmanuel Macron ganhou o Eliseu chega agora à República Popular da China com o presidente francês e sua mulher, Brigitte, a coincidir com a visita que estes iniciam hoje a Pequim e também à antiga cidade imperial de Xi"an, onde se encontram as estátuas em terracota do exército do primeiro imperador Qin Shi Huang. A cidade é capital da província de Shaanxi, região de onde é natural a família do presidente Xi Jinping.

Intitulado Revolução (Révolution, no original), a tiragem da edição chinesa será modesta para os padrões locais, mas a sua publicação encerra um valor simbólico, pois Macron refere-se nesta obra à China "como oportunidade", recusando-se a vê-la como "um perigo" quer no plano económico quer no plano da segurança e estabilidade mundiais.

A passagem por Xi"an será também ocasião para Macron pronunciar um discurso sobre as relações bilaterais, multilateralismo e também sobre património. A visita do presidente francês, que é também a sua primeira viagem à Ásia, está a ser definida como marco de um novo ciclo nas relações entre Paris e Pequim, apostando Macron "no aprofundamento da parceria estratégica global" e na "cooperação" em setores como a aeronáutica e o nuclear, referia ontem o Le Monde, citando fontes diplomáticas. Uma maior presença no mercado chinês e a colaboração nas questões climáticas (agora que os EUA vão sair do Acordo de Paris) serão outros dos temas a debater nos encontros que Macron irá manter, na próxima terça-feira, com o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang.

Atualmente, as relações comerciais bilaterais apresentam um défice de 30 mil milhões de euros, desfavorável à França, e uma das prioridades neste campo será "o reequilíbrio" e a "garantia de melhor acesso ao mercado" da segunda maior economia mundial, explicava ontem à Reuters um conselheiro de Macron, sob anonimato.

A importância da vertente económica da viagem pode aferir-se pelo número de dirigentes das principais empresas francesas presentes na comitiva, mais de 50, segundo a Reuters. Esta agência revelava ontem que a construtora Airbus deve concretizar a venda de mais de cem aviões durante a presença de Macron na China.

Para a França, segundo fonte do Eliseu ouvida pelo Le Monde (com a nova conjuntura internacional resultante dos esforços de redefinição do projeto europeu, do comportamento da administração Trump e da crescente massa crítica da China), "este é o momento oportuno para falar com Xi Jinping, quando a China quer reforçar o seu peso na governação mundial".

Num plano não político, a Paris Match escrevia recentemente que o casal Macron é popular na China, pela "sua história de amor (...), que causou sensação num país onde os homens tendem a unir-se a mulheres claramente mais jovens".

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