Macron recebe apoio de ministro. PS ainda não expulsou traidores

Ex-ministro da Economia e líder do movimento centrista En Marche! beneficiou com prestação menos boa no debate de dia 20 do candidato oficial da esquerda, Benoît Hamon

São já mais de 500 os eleitos socialistas que apoiam Emmanuel Macron, o líder do En Marche! e antigo ministro da Economia, em vez de Benoît Hamon, o vencedor das primárias da esquerda. Ontem o candidato centrista recebeu o primeiro apoio vindo de dentro do próprio governo do PS: o do ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian. Mas se em fevereiro, o primeiro secretário do PS francês, Jean-Christophe Cambadélis, ameaçava expulsar do partido quem desse o apoio a Macron, a verdade é que até agora ninguém foi sancionado.

Cada vez mais perto de Marine Le Pen na primeira volta das presidenciais francesas, marcadas para 23 de abril, Macron surge mesmo à frente da líder da Frente Nacional, de extrema-direita, em algumas sondagens (infografia). Numa coisa todos os estudos de opinião estão de acordo: na segunda volta de 7 de maio o centrista, de 39 anos, derrota a eurodeputada, de 48, em qualquer cenário. A última sondagem do instituto Harris, realizada junto de mais de seis mil eleitores, dá 65% das intenções de voto a Macron, contra 35% para Marine Le Pen.

Para a subida de Macron contribuiu em muito a fraca prestação de Hamon no primeiro debate entre candidatos, no dia 20. O ex-ministro da Educação foi mesmo ultrapassado pelo rival mais à esquerda, Jean-Luc Mélenchon, candidato do movimento França Insubmissa. Relegado para quinto nas intenções de voto, Hamon vê agora Macron atrair o apoio dos seus próprios colegas do partido socialista.

Contam-se às centenas os desertores que trocaram o candidato oficial da esquerda pelo líder do En Marche! Mas Le Drian foi o primeiro membro do governo liderado por Bernard Cazeneuve (desde a demissão de Manuel Valls, em dezembro de 2016 para se candidatar a umas primárias de esquerda que viria a perder para Hamon) a vir publicamente apoiar Macron. Próximo do presidente Hollande - que optou por não tentar um segundo mandato -, o responsável pela Defesa e presidente do conselho regional da Bretanha escolheu o jornal regional Ouest de France para anunciar a sua escolha. O apoio de um veterano - 69 anos -, com longa carreira como deputado, secretário de Estado do Mar e agora ministro da Defesa, é vista como essencial para o jovem candidato, cuja falta de experiência é apontada como uma fraqueza pelos adversários.

As reações não se fizeram esperar. Começando pelo campo Hamon. "Le Drian não respeita o voto dos eleitores de esquerda que [...] escolheram Benoît Hamon como seu candidato para estas presidenciais", lê-se num comunicado citado pela BFMTV. E acrescenta: "Não é aceitável, em democracia, que responsáveis políticos aceitem o voto dos eleitores só quando lhes convém".
Mas se Le Drian é o mais alto responsável socialista a já ter dado o apoio a Macron, está longe de ser o único. Já esta semana, a secretária de Estado da Biodiversidade, Barbara Pompili, trocara Hamon por Macron, seguindo o exemplo do responsável pelo Desporto, Thierry Braillard. À rádio RTL, este garantiu que "o programa de Macron é um dos melhores para enfrentar os desafios que esperam a França".

Quem também foi apontado como apoiante de Macron foi o próprio Manuel Valls. Mas o ex-primeiro-ministro veio negar a intenção de se juntar ao seu ex-ministro da Economia. Explicou, contudo, que não iria também subscrever a candidatura de Hamon

Até agora, o PS não tomou medidas contra os "desertores", apesar das promessas de Cambadélis. Sem um partido atrás dele, se realmente for eleito presidente, Macron vai precisar de recorrer aos quadros socialistas para ocupar as principais posições. Uma realidade que explica porque o deputado Arnaud Leroy garantia há dias à Marianne: "Cambadélis não quer insultar o futuro".
Como centrista, não é só aos socialistas que Macron foi buscar apoios. Também à direita, onde o vencedor das primárias, Fillon, depois de ultra favorito à vitória tem vindo a cair devido ao escândalo em torno do emprego fictício da mulher e de dois filhos, há quem se vire para o líder do En Marche! É o caso de Philippe Douste-Blazy , ex-ministro da Saúde e dos Negócios Estrangeiros durante a presidência de Jacques Chirac, que confessou a sua intenção de apoiar Macron à revista Marianne. Um exemplo seguido pelo deputado Dominique Perben, ministro da Justiça e do Turismo, também com Chirac.

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