Macron lança Em marcha! Direita já o vê seu primeiro-ministro

Ministro da Economia lançou novo movimento político. Socialista garante continuar fiel a Hollande mas tem fãs até n"Os Republicanos. Media apostam numa candidatura ao Eliseu em 2017 ou 2022.

O chef Thierry Marx e o fundador do site de encontros Meetic, Marc Simoncini, foram as primeiras figuras públicas a juntar-se ao movimento político criado esta semana por Emmanuel Macron. Chama-se En marche! (Em marcha!), pretende não ser "nem de direita nem de esquerda" e até já conquistou a simpatia de algumas figuras d"Os Republicanos (a ex-UMP de Nicolas Sarkozy). É o caso do ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, segundo o qual a iniciativa do ministro da Economia socialista "está no caminho certo". Mais, o ex-governante garante que não há "qualquer incompatibilidade" entre Macron e Alain Juppé, favorito às primárias da direita, sugerindo que o socialista até poderia chefiar um governo patrocinado por um Juppé presidente.

"É uma boa ideia, traz sangue novo, faz mexer o velho socialismo", afirmou Raffarin à France Info. O ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac disse estar "no mesmo comprimento de onda" que Macron "nas questões económicas". E acrescentou: "O problema dele é estar num governo que não faz o que ele diz e não lhe dá liberdade."

No dia 6, Macron, de 38 anos, lançou um movimento para "fazer política de forma diferente". O titular da Economia, mal-amado pela ala mais à esquerda do PS, avisou o presidente François Hollande e o primeiro-ministro das suas intenções e garantiu estar bem firme no governo, mas querer "trabalhar com pessoas que se sentem de direita".

As reações não se fizeram esperar, com os media franceses a apostarem numa eventual candidatura de Macron já nas presidenciais de 2017 - uma hipótese que o próprio nunca desmentiu categoricamente - ou nas eleições seguintes, em 2022. Certo é que o ministro parece decidido a ressuscitar as boas relações entre esquerda e direita dos tempos do centrista Valéry Giscard d"Estaing. Desde a chegada do socialista François Mitterrand à presidência em 1981 que o feudo entre esquerda e direita se aprofundou. Mas com as sondagens a tornarem cada vez mais provável a passagem de Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional, de extrema-direita, à segunda volta das presidenciais do próximo ano, a união de centro pode ser essencial para a derrotar. E Hollande, cuja popularidade voltou a cair para os mínimos depois de uma leve subida após os atentados de Paris em novembro de 2015, não parece a pessoa certa para a tarefa.

Da banca para a política

As sondagens mostram que os eleitores franceses estão cansados dos partidos tradicionais e dos seus líderes. O que abre espaço para o aparecimento de candidatos independentes e vindos de fora do sistema. É o caso de Macron. Filho de dois médicos, foi à avó, filha de analfabetos, que foi buscar a costela de esquerda. Terminado o liceu - onde conheceu a futura mulher, Brigitte Trogneux, então sua professora e 20 anos mais velha do que ele -, estuda Filosofia e Ciência Política antes de entrar na ENA (Escola Nacional de Administração) em Estrasburgo. Pianista exímio, praticante de futebol e boxe francês, começa a carreira na Inspeção-Geral dos Impostos, mudando depois para o setor privado, tendo trabalhado no banco Rotschild & Cie.

A política surgiu na vida de Macron ainda na casa dos 20. Militante do PS, próximo do ex-primeiro-ministro Michel Rocard, apoia François Hollande desde 2010. Quando este chega à presidência em 2012, Macron torna-se secretário-geral adjunto do Eliseu, deixando para trás uma bem-sucedida carreira na banca. Dois anos depois, é ministro.

Desde então tem-se destacado na defesa da reforma de uma lei laboral que beneficie as empresas e reforçou as suas credenciais de intervencionista. Uma posição que faz dele um dos ministros mais populares do governo de Manuel Valls e lhe valeu críticas dentro do próprio Partido Socialista: da ex-líder do partido Martine Aubry ao ministro das Finanças, Michel Sapin, que segundo o Libération já lhe terá até chamado "imbecil".

Ameaça a Valls

Ele próprio visto como um reformista, amigo do setor empresarial, Manuel Valls não vê com bons olhos este movimento de Macron. Inquirido pelos jornalistas, o primeiro-ministro garantiu que não vai "perder tempo com isso". Quanto ao fim da divisão entre esquerda e direita, o chefe do governo garantiu que não terminou, até porque "é uma divisão positiva".

Na direita, e apesar do otimismo de Raffarin sobre uma cooperação futura entre Juppé e Macron, o primeiro não parece muito convencido. O ex-primeiro-ministro, que surge à frente do ex-presidente Nicolas Sarkozy nas sondagens para as primárias de novembro na direita, disse ao Le Parisien que em vez de andar a lançar novos movimentos para "preparar o seu futuro trajeto político", Macron "devia era fazer o seu trabalho de ministro".

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