Macron e Trump esquecem diferenças e celebram amizade

"Nada nos separará nunca", disse líder francês sobre relação entre EUA e França após desfile com tropas norte-americanas

O constrangedor primeiro aperto de mão em Bruxelas já parece estar esquecido, assim como a decisão de os EUA abandonarem o Acordo de Paris. Ao longo das cerca de 30 horas de visita à capital francesa do presidente norte-americano, Donald Trump, foram várias as ocasiões para mostrar a amizade que une os dois países. "Nada nos separará nunca", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, após o desfile militar do 14 de Julho, agradecendo aos EUA "pela escolha feita há cem anos" de entrar na Grande Guerra e apoiar os Aliados.

"Neste 14 de Julho celebramos a França, celebramos aquilo que nos une, celebramos este gosto absoluto da independência que chamamos liberdade", afirmou Macron. "Esta ambição de dar a qualquer um a sua oportunidade que chamamos igualdade", acrescentou o presidente francês.

Depois de um "jantar de amigos" na véspera, na Torre Eiffel, com as respetivas mulheres, Trump e Macron mostraram cumplicidade nos Campos Elísios durante o desfile de mais de 3700 militares, com 211 veículos, 241 cavalos, 63 aviões e 29 helicópteros. O presidente norte--americano foi o convidado de honra no Dia da Bastilha, cabendo a abertura do tradicional desfile aos sammies - nome pelo qual são conhecidos os soldados norte-americanos que combateram na Grande Guerra. Seis F-16 da patrulha acrobática da Força Aérea dos EUA e dois caças F-22 cruzaram também os céus de Paris.

"Grande conversa com o presidente Macron e os seus representantes sobre comércio, defesa e segurança", escreveu Trump no Twitter, antes de deixar Paris. Para trás parece ficar o desacordo em relação ao Acordo do Clima, com o próprio presidente norte-americano a suavizar na véspera a sua posição dizendo, numa conferência de imprensa conjunta, que "alguma coisa pode acontecer".

Homenagem às vítimas de Nice

Trump partilhou também no seu Twitter uma foto ao lado de Macron quando assistia ao desfile militar, dizendo ser uma "grande honra" representar o seu país no Dia da Bastilha. Na legenda de outra foto, desta vez dos soldados norte-americanos, escreveu: "Os EUA lamentam as vítimas de Nice, França. Estamos solidários com França contra o terror."

Neste ano assinala-se o primeiro aniversário do atentado de Nice, no qual 86 pessoas morreram e 450 ficaram feridas quando um camião de 19 toneladas conduzido por um tunisino de 31 anos atravessou a multidão que ia assistir ao fogo-de--artifício. Um ano após o ataque, então reivindicado pelo Estado Islâmico, a investigação ainda não conseguiu encontrar ligações entre o responsável, Mohamed Bouhlel, que foi abatido pela polícia, e o grupo terrorista. Ontem, no desfile, a banda do Exército tocou o hino da cidade, Nissa la Bella, ao mesmo tempo que formava a palavra Nice. À tarde, Macron juntou-se aos ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy numa cerimónia oficial de homenagem às vítimas.

Trump regressou entretanto aos EUA, onde além da polémica da reunião do seu filho com os russos (ver texto secundário) aguarda que os republicanos apresentem o novo plano de saúde para substituir o Obamacare. Antes de partir recebeu a notícia de que um juiz do Havai enfraqueceu o seu decreto anti-imigração ao alargar o conceito de família previsto na proibição de entrada de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. Em relação a outra promessa eleitoral, a do muro com o México, o presidente disse no voo para Paris que este deve ser "solar", para aproveitar esta energia, e "transparente", para impedir que inocentes "sejam atingidos pelos grandes sacos de droga atirados pelos cartéis".

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