Macron anuncia recolher obrigatório nas regiões mais afetadas

A partir de sábado e durante pelo menos um mês, os habitantes das metrópoles francesas devem estar em casa entre as 21.00 e 06.00. Presidente francês alega "pressão insustentável" nos hospitais.

No dia em que morreram 104 pessoas de covid-19 (o número mais alto em cinco meses)Emmanuel Macron nega que a situação esteja fora de controlo. Mas para que tal não aconteça as zonas mais populosas e com maior taxa de incidência do vírus vão estar sujeitas a um recolher obrigatório.

A partir de sábado e pelo menos durante quatro semanas, os habitantes da região de Île-de-France (que inclui Paris) e das áreas metropolitanas de Grenoble, Lille, Rouen, Sain-Étienne, Lyon, Toulouse, Montpellier e Aix-Marselha-Provença verão todos os estabelecimentos comerciais encerrados entre as 21.00 e as 6.00 e o dever de cada habitante estar em casa.

As exceções previstas incluem a deslocação de ou para o trabalho ou uma urgência de saúde.

Em entrevista concedida no Palácio do Eliseu à TF1 e France 2, Macron disse que o país não pode ficar parado nem entrar em pânico.

O chefe de Estado francês começou por dizer que o país vive a "segunda vaga" da pandemia e lembrou outros exemplos na Europa, com mais medidas restritivas na Alemanha, Espanha ou Países Baixos.

Macron lembrou que mais de 30 mil pessoas morreram em França devido à covid-19, mas sublinhou que não ataca apenas as pessoas mais velhas, e com patologias como diabetes, hipertensão ou obesidade.

"Afeta todas as pessoas e idades", e deixa em certos casos marcas como pessoas que perderam o olfato ou que ficaram com insuficiência respiratória - um alerta para a população mais jovem: na região da capital a taxa de incidência na faixa entre os 20 e 30 anos está em 800 por 100 mil pessoas, quando o nível de alerta máximo que as autoridades estabeleceram para cada localidade é quando o vírus ultrapassa 250 casos por 100 mil pessoas.

"Temos 20 mil casos diários, 200 pessoas por dia que entram nos cuidados intensivos, é uma pressão insustentável."

"Espero que cada um esteja consciente dos riscos", disse, tendo lembrado que a polícia irá vigiar o cumprimento desta medida excecional e que as multas para quem não cumpra o recolher vão de 135 euros aos 1500 euros em caso de reincidência.

Em relação ao confinamento a nível nacional que durou dois meses e a atualidade, Macron disse que "hoje o vírus está em todo o lado" e, por outro lado, "os profissionais de saúde estão exaustos", mas acredita que um novo confinamento seria uma medida "desproporcional".

Macron admite falhas

O presidente francês, que uma e outra vez apelou para o civismo e responsabilidade dos cidadãos, admitiu que ao nível dos testes a resposta não esteve à altura. "Tivemos atrasos demasiado longos porque não tínhamos a organização que nos permitia fazê-lo", disse.

O mesmo relativamente à aplicação StopCovid: "Não resultou." A app de rastreamento da pandemia vai ter um sucessor chamado TousAntiCovid, para "rastrear e proteger melhor" e que será apresentada no dia 22.

Mais Notícias