Lula em pré-campanha: "Não conseguem parar-me nas urnas"

Líder nas sondagens para 2018, antigo presidente faz périplo pelo segundo estado mais populoso do país, Minas Gerais, entre as multidões de apoiantes e grupos de opositores.

"Se alguém não quiser que eu seja candidato a presidente, então tome coragem, forme um partido, seja candidato e vá derrotar-me nas urnas, ponham o [Luciano] Huck, a [Rede] Globo ou o [Sergio] Moro", gritou Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), perante uma multidão em delírio. "Eles não me conseguem parar nas urnas por isso é que me querem parar na justiça, se eu concorrer vou ganhar e se eu ganhar esse país vai voltar a sorrir", continuou o presidente do Brasil de 2003 a 2010 e pré-candidato nas próximas eleições. O tom dos comícios, vibrante e confrontacional, parece mais adequado a outubro de 2018, às vésperas do sufrágio, mas ocorreu esta semana, um ano antes de os brasileiros irem a votos.

O discurso, na cidade de Governador Valadares, fez parte de um périplo por Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil com 21 milhões de habitantes, iniciado segunda-feira e terminado hoje, com discurso em Belo Horizonte, a cidade natal da sucessora Dilma Rousseff e do ainda presidente do rival Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) Aécio Neves. Como em agosto, pela região Nordeste, o líder em todas as sondagens viajou de ônibus pelo meio do povo e foi recebido em cada uma das 14 cidades das sete regiões mineiras que visitou com banhos de multidão, organizados por movimentos populares e sindicatos, e também com protestos de opositores, na maioria de adeptos do candidato Jair Bolsonaro (Patriotas).

Michel Temer, que ao contrário de Lula sofre com sondagens negativas, foi um dos alvos dos discursos. "Se ele fez um teto de gastos em saúde e educação porque não se impõe um limite para compra de deputados para salvar o mandato?", ironizou, a propósito da votação da denúncia contra o presidente da República, derrotada na quarta-feira passada. Em entrevista a uma rádio local, atacou a imprensa: "Uma vez eleito, embora tencione ser o Lulinha paz e amor de sempre, vou ser mais duro com aqueles que fazem mal a este país, um diretor de jornal pode escrever o editorial que quiser mas não pode mentir nas informações, os jornais engoliram as mentiras que disseram contra a Dilma, ela perdeu o mandato e agora vemos como está o país aí com o Temer...".

Acompanhantes de peso

A importância atribuída a esta tournée de Lula mede-se pelo peso dos seus acompanhantes: além de Dilma, ex-presidente, acompanham-no a líder do PT Gleisi Hoffman, e o ex-prefeito de São Paulo e primeira escolha do partido para as eleições caso o antigo sindicalista seja impedido de concorrer, Fernando Haddad. Quando Lula viajou pelo Nordeste, Haddad fez uma agenda própria mas, desta vez, participou em eventos ao lado do pré-candidato.

Embora o foco de Lula tenha sido o povo anónimo, a comitiva procurou atrair a universidade, as lideranças políticas locais e o empresariado. No seu aniversário de 72 anos - celebrado sexta-feira na cidade Montes Claros - o antigo chefe de Estado esteve com Josué Gomes, gestor da área têxtil e filho de José Alencar, vice-presidente do Brasil na Era Lula, entre outros empresários. Em Diamantina, o candidato reuniu-se com reitores. E Fernando Pimentel, governador do estado pelo PT e, tal como Lula, a braços com a justiça, seguiu o candidato por toda a caravana.

Depois dos banhos de multidão, no entanto, Lula teria amanhã um regresso brusco à realidade com depoimento à polícia em Brasília, no âmbito de uma das operações, a Zelotes, em que é investigado. Mas os seus advogados conseguiram adiar a audiência para 10 de novembro de maneira a que o antigo presidente desfrutasse mais uns dias do banho de popularidade.

São Paulo

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