Lula da Silva denunciado por um dos seus braços direitos

Antonio Palocci diz a Sergio Moro que relação do antigo presidente com a construtora Odebrecht era movida a subornos

O ex-ministro das Finanças do Brasil Antonio Palocci disse ontem em depoimento gravado em vídeo ao juiz Sergio Moro, coordenador da Operação Lava-Jato em Curitiba, que a relação dos governos do PT com a construtora Odebrecht, uma das mais implicadas no escândalo, era "movida a corrupção".

Palocci afirmou ainda que o antigo presidente da República Lula da Silva, de quem foi braço direito para a área económica, e o ex-presidente do grupo, Emílio Odebrecht, firmaram "um pacto de sangue" no qual se determinava que a empreiteira pagaria 300 milhões de reais [81 milhões de euros ao câmbio de hoje] aos governos do PT em troca de vantagens em contratos com o Estado e benefícios pessoais. Nesse acordo, prosseguiu o médico e economista, estavam previstas também obras numa propriedade rural na cidade de Atibaia e a compra do terreno da nova sede do Instituto Lula, casos que são motivo para processos contra o antigo presidente na Lava-Jato.

Disse ainda Palocci, que assinou acordo de delação premiada para ver reduzida a sua pena de 12 anos, que Emílio Odebrecht estava preocupado por a sua relação com Dilma Rousseff, sucessora de Lula no Palácio do Planalto, ser "menos fluida".

Os advogados de Lula da Silva, que ontem terminou um périplo de pré-campanha eleitoral por cidades do Nordeste do país, disseram que as acusações de Palocci carecem de provas, que o seu depoimento é feito sob a pressão de diminuir a pena e que os dados que relata divergem dos revelados por anteriores delatores.

Palocci, 56 anos, foi um dos ideólogos do programa de governo de Lula e considerado um dos responsáveis pelo sucesso económico do seu consulado. Exerceu a função de ministro das Finanças do antigo presidente de 2003 a 2006, quando se demitiu por suspeita de corrupção. Voltou ao executivo em 2011, como ministro da Casa Civil de Dilma, mas caiu meses depois por causa de acusação de enriquecimento ilícito.

* EM SÃO PAULO

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