Presidente volta a convocar Conte para formar Governo

Os líderes do Movimento 5 estrelas (M5S), que é anti-sistema, e da Liga, extrema direita, anunciaram hoje que foram reunidas "todas as condições" para formarem um governo de unidade nacional.

O Presidente da República de Itália, Sergio Mattarella, convocou hoje novamente Giuseppe Conte, um jurista sem experiência política proposto pelo Movimento 5 Estrelas (antissistema) e pela Liga (extrema-direita) para formar Governo.

Sergio Matarella receberá Giuseppe Conte no Palácio do Quirinal pelas 21:00 locais (20:00 em Lisboa), para, provavelmente, encarregar o jurista de formar um novo Governo, depois de o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga terem chegado hoje a acordo.

Mattarella vetou Paolo Savona, de 81 anos, para liderar o Ministério da Economia de um Governo de coligação M5S-Liga, devido às suas posições eurocéticas.

Depois disso, Giuseppe Conte renunciou à tarefa de formar um novo Governo, em Itália, como lhe tinha pedido o chefe de Estado, face às dificuldades encontradas para escolher o seu executivo.

Na segunda-feira, o Presidente da República italiano deu a responsabilidade a Carlo Cottarelli, um ex-quadro do Fundo Monetário Internacional (FMI), de procurar constituir um Governo neutral de tecnocratas para conduzir o país para eleições antecipadas.

Hoje, Cottarelli recuou, abrindo caminho ao Governo político do M5S/Liga.

"Já não é necessário formar um Governo de tecnocratas", disse o antigo diretor do FMI aos jornalistas depois de se ter encontrado com o Presidente da República para renunciar, formalmente, ao cargo.

Os líderes do M5S e da Liga anunciaram hoje que foram reunidas "todas as condições" para formar um Governo de unidade nacional.

"Foram reunidas todas as condições para um governo político ​​​​​​​M5S/Liga", anunciaram hoje Luigi di Maio e Matteo Salvini num comunicado divulgado pelo M5S.

Crise italiana reforça necessidade de mecanismos de estabilização na Europa

O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje que a situação atual de Itália reforça a necessidade de haver mecanismos de estabilização em termos europeus "que evitem e previnam qualquer crise resultante de fatores políticos nacionais".

António Costa falava em conferência de imprensa conjunta com a homóloga alemã, no Palácio Foz, em Lisboa, após uma reunião bilateral, que encerrou uma visita de dois dias da chanceler alemã a Portugal, na sequência de um convite formulado pelo primeiro-ministro.

Questionado sobre a atual crise política em Itália, António Costa sublinhou que situações como estas têm demonstrado como todos na Europa são "indiretamente atingidos sempre que, em cada um dos nossos países, há um problema específico".

"Isso reforça a necessidade de termos mecanismos de estabilização que evitem e previnam qualquer crise resultante de fatores políticos nacionais", apelou.

A crise italiana, para Costa, é também a prova que quando não se responde "atempadamente aos fatores de crise" se geram fenómenos indesejáveis como "populismo, extremismo, radicalismo e nacionalismo".

"A Europa deve responder depressa de forma a evitar e a prevenir situações dessa natureza", defendeu,

Já a chanceler alemã preferiu não "especular" sobre esta crise, afirmando esperar pela formação do novo Governo.

"Iremos falar com o novo Governo italiano e faremos tudo para que haja uma boa cooperação", disse, declarando querer abordar a situação "de forma construtiva".

"A Alemanha tudo fará para alcançar uma boa solução".

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