Líder trabalhista perde voto de confiança, mas não se demite

80% dos deputados trabalhistas votaram contra o seu atual líder, mas Jeremy Corbyn recusa ceder e abandonar o cargo.

A dimensão da revolta parlamentar do Labour contra Jeremy Corbyn ficou ontem clara, depois de um voto de não confiança secreto. 172 deputados, isto é, 80%, votaram contra o líder trabalhista (há apenas nove meses no cargo) e 40 a favor (houve quatro nulos e 13 que não votaram). Mas Corbyn recusa afastar-se.

"Fui eleito democraticamente para fazer um novo tipo de política por 60% dos membros e apoiantes do Labour e não vou traí-los demitindo-me. O voto dos deputados não tem legitimidade constitucional", disse. Pelas regras do Labour só é possível convocar uma eleição para a direção se um adversário conseguir o apoio de 20% dos 250 deputados e eurodeputados, isto é, 50. Após a votação de ontem, isso é apenas uma questão burocrática. Os críticos de Corbyn, que o acusam de não ter ajudado contra o brexit e de não ser o melhor líder para enfrentar eleições, estão a analisar as regras do partido para saber se é possível impedir a sua candidatura, exigindo que ele consiga também as 50 assinaturas. Quando foi eleito líder do Labour, Corbyn só precisava de 35 assinaturas e teve dificuldade em obtê-las. Por exemplo, Jo Cox, a deputada que foi morta durante a campanha, assinou só para garantir que haveria debate no partido, garantindo que não iria votar nele e acreditando que ele não venceria.

O nome mais falado para enfrentar Corbyn é Angela Eagle, que na segunda-feira se demitiu de ministra-sombra para as Empresas. "Sinto que servi o partido na melhor forma que podia e hoje tive de sair", afirmou à BBC, em lágrimas, defendendo que "no melhor interesse do partido", Corbyn devia "afastar-se". Caso se torne líder do Labour, nas próximas eleições, os britânicos poderão ter de escolher entre duas mulheres. Isto depois de o nome de Theresa May, ministra do Interior conservadora que apoiou o "ficar" mas de uma forma discreta, ganhar cada vez mais força como líder dos Tories, em alternativa a Boris Johnson, ex-mayor de Londres e defensor do brexit. Segundo uma sondagem do YouGov, do The Times, May tem o apoio de 31% dos militantes, contra 27% de Boris. Nenhum deles anunciou ainda a candidatura à sucessão de David Cameron, que após perder o referendo disse que sairá em outubro.

Em Londres

(Notícia atualizada às 19:50)

Mais Notícias

Outras Notícias GMG