Líder de organização criminosa depositou 21 cheques na conta de Michelle Bolsonaro

Informação de que Fabrício Queiroz o operacional do esquema de corrupção envolvendo o senador Flávio Bolsonaro pagou 72 mil reais à hoje primeira dama contradiz versão de Jair Bolsonaro sobre o assunto

Fabrício Queiroz, a figura central da organização criminosa que desviou o salário de assessores do hoje senador Flávio Bolsonaro, fez 21 depósitos na conta de Michelle Bolsonaro, a primeira-dama do Brasil. A revelação resulta da quebra do sigilo bancário do ex-assessor do primogénito de Jair Bolsonaro e foi divulgada pela revista eletrónica Crusoé.

A revelação contraria a versão dada pelo presidente de que um depósito no valor de 24 mil, conhecido já desde dezembro de 2018, era parte do pagamento de um empréstimo de 40 mil reais que fizera a Queiroz, seu amigo desde 1985.

A quebra do sigilo mostra ainda que Queiroz recebeu 6,2 milhões de reais [cerca de um milhão de euros ao câmbio atual] nas suas contas entre 2007 e 2018. Desse montante, 1,6 milhão seriam salários recebidos como polícia e como assessor de Flávio. Outros dois milhões teriam vindo de 483 depósitos de assessores do gabinete do filho do presidente, o que reforça a suspeita do esquema de "rachadinha", que consiste em empregar colaboradores fantasmas e recolher parte ou a totalidade do dinheiro público pago. Cerca de 900 mil foram depositados em dinheiro não têm identificação de depositante.

Michelle nunca falou sobre o depósito de 24 mil fique já era conhecido. Jair Bolsonaro deu a justificativa do empréstimo mas, solicitado pela imprensa a demonstrar um comprovante, irritou-se com os jornalistas em dezembro de 2019.

"Ó rapaz pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo? (...) Fica quieto! Você tem nota fiscal desse relógio que está contigo no teu braço? Não tem! Não tem" Você tem nota fiscal do teu sapato? Não tem, porra!".

Queiroz está em prisão domiciliar, por ordem de um juiz, depois de ter sido detido na casa do advogado de Bolsonaro, onde esteve escondido por perto de um ano.

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