Levantamento de patentes? "Todas as opções em cima da mesa. Não descarto nada por agora"

Bruxelas exige "reciprocidade" da parte dos que mais têm beneficiado das exportações Europeias.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen reconhece que há cada vez menos argumentos "para explicar aos europeus" a penúria de vacinas, sendo a UE exportadora em larga escala, para outras regiões do globo.

Esta quarta-feira assumiu que todas as opções "estão em cima da mesa", para garantir que a disponibilidade de vacinas contra a Covid-19, na União Europeia, é suficiente para alcançar a imunidade de grupo até ao verão. Ursula von der Leyen não afasta a possibilidade da UE vir a recorrer à restrição de exportações ou mesmo ao levantamento de patentes.

"Todas as opções estão em cima da mesa. Estamos no pico da crise do século. E não descarto nada por agora", assumiu, num tom que lhe é pouco conhecido, deixando transparecer o descontentamento com as falhas de "reciprocidade", de outros países, bem como com o deslize da AstraZeneca de não conseguir honrar o compromisso assumido.

"Infelizmente, eles vão apenas entregar 70 milhões de doses. É abaixo dos 180 milhões a que se comprometeram contratualmente", lamentou a presidente da Comissão, que conta agora com as entregas da Pfizer, da Moderna, e também do fármaco de dose única produzido pela Johnson&Johnson, durante o segundo semestre deste ano.

"Devemos receber no segundo trimestre cerca de 55 milhões de doses da Johnson and Johnson. E, quero lembrar que esta é uma vacina de toma única. Também sabemos que podemos contar com as doses contratadas pela BioNtech/Pfizer: serão 200 milhões de doses a serem entregues no segundo trimestre. E o mesmo é válido para a Moderna, mais 35 milhões de doses", apontou.

"Sabemos que podemos alcançar o nosso objetivo de ter 70 por cento das população adulta vacinada, até ao fim do verão", acredita a presidente da Comissão, mantendo assim as metas de vacinação, traçadas no arranque dos programas.

Para tal terá de haver "entregas fiáveis, reforço dos contratos". Para o consegui, Von der Leyen avisa: "Estamos prontos para utilizar os instrumentos que precisarmos para assegurar isso."

De momento exige "reciprocidade" da parte dos que mais têm beneficiado das exportações Europeias. A União Europeia já entregou até agora 41 milhões de vacinas para 33 países externos, a maior parte foram dirigidas ao Reino Unido.

"Continuamos à espera que cheguem doses do Reino Unido", vincou, reconhecendo que "é difícil de explicar aos cidadãos porque razão as vacinas produzidas na União Europeia estão a ser enviadas para outros países que também estão a produzir vacinas, mas não vem nada para a União Europeia".

A presidente da Comissão promete levar o assunto à discussão dos chefes de estado de governo, na cimeira agendada para o final da próxima semana.

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