Lava-Jato investiga Dilma, Lula e mais cinco ministros de Temer

Os presidenciáveis Aécio Neves e José Serra também estão na lista entregue pelo Procurador-Geral da República ao Supremo e definida por um deputado como "bomba atómica"

Pelo menos cinco ministros do governo de Michel Temer, dois ex-presidentes da República e o segundo e o terceiro na linha sucessória do presidente do Brasil fazem parte de uma mega-lista de 320 pedidos de investigação entregue ontem pelo Procurador-Geral da República do Brasil ao Supremo Tribunal Federal, com base nas delações de 78 ex-quadros da construtora Odebrecht. Um deputado que pediu anonimato classificou a lista de "bomba atómica política e talvez jurídica".

A ex-presidente Dilma Rousseff e o seu antecessor Lula da Silva estão entre os investigados, assim como dois dos ministros mais influentes das suas gestões, Antonio Palocci, ministro da Economia sob Lula e da Casa Civil na gestão Dilma, e Guido Mantega, o homem das finanças no primeiro mandato da ex-presidente. Os quatro são do PT.

Do atual governo constam os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria da Presidência), os dois mais próximos colaboradores de Temer, ambos, tal como o presidente, do PMDB. Também Gilberto Kassab (Comunicações), que chegou a ser ministro de Dilma, Bruno Araújo (Cidades), conhecido por ter exercido o voto decisivo na Câmara dos Deputados para o impeachment da ex-presidente, e Aloysio Nunes (Negócios Estrangeiros), candidato a vice-presidente na lista de Aécio Neves em 2014, serão investigados. Kassab é do PSD, os outros dois do PSDB.

Aliás, o presidente do PSDB Aécio Neves está na lista do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, ao lado do seu colega de partido e recém demitido ministro José Serra, ambos considerados presidenciáveis em 2018.

Caso Serra não tivesse pedido demissão no mês passado da pasta dos Negócios Estrangeiros e Temer não tivesse demitido os ministros Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Romero Jucá ao longo do seu consulado, seriam nove os ministros do atual governo envolvidos - quase um terço.

Uma das dúvidas suscitadas pela lista, cujos nomes surgem na imprensa a conta gotas por estar ainda sob sigilo, é se o próprio Temer, citado pelo menos 43 vezes no processo, será ou não investigado.

Entretanto, os dois nomes seguintes na linha de sucessão presidencial segundo a Constituição, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, e o presidente do Senado Eunício Oliveira, do PMDB, estão ainda na lista de Janot.

E agora?

O processo passa agora de Janot para Edosn Fachin, o juiz relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal em substituição de Teori Zavascki, falecido em Janeiro, num desastre de avião. Fachin vai enviar para instâncias inferiores os investigados sem foro privilegiado decorrentes de exercício de cargo público, como Lula ou Dilma, por exemplo, e analisará caso a caso todos os outros, definindo quem é e quem não é denunciado. Compete-lhe também definir se os nomes continuam sob sigilo ou se serão divulgados.

Numa primeira "lista de Janot" divulgada em 2015 com 50 políticos envolvidos na Lava-Jato foram abertos 27 inquéritos e quatro tornaram-se réus. Mais do que os veriditos jurídicos, a lista teve importantes consequências políticas, mas mesmo assim menores do que as que são esperadas com a atual lista.

Entretanto, quase todos os visados optaram por não se pronunciar na sequência do anúncio, pela imprensa, dos primeiros nomes.

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