Kurtin S., 20 anos, simpatizante do Daesh: este foi o terrorista morto em Viena

O jovem de uma família de imigrantes já tinha sido preso por tentar viajar para a Síria para se juntar ao Daesh. No ataque de segunda-feira morreram cinco pessoas e 17 ficaram feridas.

Kurtin S., 20 anos, nascido em Viena numa família de emigrantes do leste da Europa, simpatizante do Daesh. Esse terá sido, de acordo com a imprensa local, um dos responsáveis pelo ataque terrorista na noite de segunda-feira na capital austríaca e que foi morto pela polícia

As autoridades austríacas não divulgaram a identidade do terrorista para não prejudicar a investigação, mas algumas informações sobre o agressor têm sido difundidas pela imprensa local e o perfil de um jovem extremista começa a ser delineado.

De acordo com esses relatos, Kurtin S. tinha 20 anos, nasceu e cresceu na capital austríaca e por isso planeou o ataque em ruas que conhecia perfeitamente. A sua família veio da Albânia, mas os pais eram originários da Macedónia do Norte, de acordo com o semanário Falternewspaper.

O seu diretor, Florian Klenk, garante que, assim que foi identificado, a polícia teve acesso ao seu processo, uma vez que ele era um dos 90 islâmicos que tinham demonstrado vontade de viajar para a Síria. A 25 de abril de 2019, Kurtin S. foi condenado a pena de prisão por tentar viajar para a Síria para se juntar ao Daesh e, a 5 de dezembro, foi libertado, ficando em condicional, segundo a agência austríaca APA. No entanto, "não estava sob vigilância porque a Polícia não acreditou que ele fosse capaz de organizar um ataque em Viena".

As forças de segurança austríacas verificaram, por outro lado, que o terrorista tinha anunciado o ataque no seu perfil na rede social Instagram, que agora foi encerrada e na qual posou com a metralhadora Zastava M-70, com que depois atiraria em peões e funcionários de restaurantes no centro de Viena, além de uma pistola e uma catana, juntamente com vários cartuchos de pequeno calibre e outros semelhantes ao calibre 7,62x39 mm.

Na legenda, o terrorista escreveu: "Ich gebe die Bayah an Amirul Mumineen, Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi" ("Eu dou o Bayah a Amirul Mumineen, Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi").

Esta fórmula faz parte de um juramento de fidelidade ao "líder dos crentes", título que "Abu Ibrahim", o líder das milícias do Daesh, reivindica para si mesmo. Essa promessa de lealdade, muitas vezes gravada em vídeo, é uma tradição dos apoiantes da organização antes dos ataques, para que o Daesh possa reclamar esses atos mais tarde. "Baqiyah" é parte do ditado árabe "Dawlatul al-Islam baqiyah wa tatamaddad" (O Estado Islâmico resiste e está a expandir-se). A exclamação "Baqiyah" continua a ser bastante popular entre os apoiantes do Daesh, também porque enfatiza a resistência da organização após a perda da última cidade em sua posse na primavera de 2019. As autoridades ainda não sabem se este vídeo foi apenas uma confissão ou um sinal para os dois outros cúmplices atacarem.

As buscas em casa de Kurtin S. e mais especificamente no seu computador pessoal revelaram que o terrorista também enviou um vídeo a dois dos seus conhecidos na manhã do incidente. O vídeo mostra imagens do ataque à redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo em 2015, em que jihadistas invadiram o prédio e mataram várias pessoas.

Cinco pessoas morreram e 17 pessoas ficaram feridas no ataque de segunda-feira à noite. Neste momento, dois homens ligados ao ataque estão detidos na cidade austríaca de Sankt Pölten, também de acordo com a APA.

Um cidadão luso-luxemburguês é um dos feridos resultantes dos ataques, encontrando-se hospitalizado, disse à agência Lusa fonte do gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, já depois de o Presidente da República o ter revelado numa mensagem ao seu homólogo austríaco.

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