Juppé venceria 1.ª volta das presidenciais se Fillon renunciasse

Estudo de opinião indica que Juppé afastaria Le Pen de uma segunda volta, caso viesse a substituir o candidato dos Republicanos

Alain Juppé venceria a primeira volta das presidenciais francesas se substituísse o candidato da direita François Fillon, e poderia afastar a candidata da extrema-direita Marine Le Pen da segunda volta, segundo uma sondagem divulgada hoje.

O estudo de opinião, realizado pelo instituto Odoxa para a France 2, concluiu que o ex-primeiro-ministro e atual presidente da câmara de Bordéus reuniria 26,5% das intenções de voto, o centrista independente Emmanuel Macron 25% e Marine Le Pen 24%.

A margem de erro da sondagem é de 3%.

O estudo foi realizado na quarta e na quinta-feira, depois de François Fillon ter anunciado que vai ser formalmente acusado no inquérito a uso indevido de fundos públicos e, contrariamente ao que prometeu, se mantém na campanha para as presidenciais de 23 de abril e 7 de maio.

Segundo a sondagem, se Fillon mantiver a candidatura é eliminado na primeira volta, com 19% das intenções de voto, atrás de Macron (27%), que surge pela primeira vez no primeiro lugar, e de Le Pen (25,5%).

O estudo do Odoxa não aborda o cenário da segunda volta, mas todas as sondagens até hoje mostram que Le Pen seria derrotada por qualquer outro candidato.

Desde quarta-feira, quando Fillon anunciou que se mantém na corrida, sucedem-se os anúncios de demissão de responsáveis da campanha do candidato conservador.

Fonte próxima de Alain Juppé, derrotado por Fillon nas primárias da direita, disse hoje que o ex-primeiro-ministro está disposto a avançar se Fillon decidir retirar-se da corrida e se tiver o apoio unânime do partido.

"O pedido não pode vir apenas das pessoas que me apoiaram, tem de ser mais alargado", terá dito Juppé a colaboradores, segundo a imprensa francesa.

Um colaborador de François Fillon disse por seu turno a jornalistas que a campanha vai esperar por domingo, para quando está prevista uma manifestação de apoio ao candidato conservador, para tomar uma decisão.

Fillon, até há cerca de um mês dado nas sondagens como favorito para derrotar Le Pen, é suspeito de ter criado empregos fictícios para a mulher e dois filhos, pelos quais auferiram, no conjunto, mais de um milhão de euros provenientes de fundos parlamentares.

O candidato nega as acusações, assegurando que os empregos eram reais e admitindo apenas como "erro" ter querido rodear-se de pessoas de confiança.

O escândalo foi divulgado a 24 de janeiro pelo semanário satírico Le Canard Enchaîné e, no dia seguinte, o departamento de crimes financeiros da Procuradoria de Paris anunciou a abertura de um inquérito judicial formal.

Na quarta-feira, Fillon anunciou ter sido convocado pela justiça para 15 de março para, segundo lhe disseram os advogados, ser formalmente acusado.

Entre as possíveis acusações figuram a apropriação indevida de fundos públicos, abuso de fundos públicos ou tráfico de influências.

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