Juanma Moreno eleito presidente da Andaluzia com o apoio da extrema-direita

A eleição do líder do PP andaluz, que toma posse sexta-feira, põe fim ao domínio do PSOE na maior autonomia de Espanha.

A Andaluzia virou esta quarta-feira uma página na história. Em 37 anos, Juan Manuel Moreno (também conhecido por Juanma Moreno) é o primeiro presidente não socialista desta autonomia espanhola, depois do acordo celebrado com o Ciudadanos e o Vox, que lhe deu os votos suficientes para vencer. O líder do Partido Popular andaluz foi eleito esta quarta-feira em Sevilha, estando a sua tomada de posse prevista para sexta-feira,

"Para chegar a um acordo, todos tivemos de ceder em algo", explicou Moreno, depois de ser conhecido o acordo com o Ciudadanos, ainda em 2018. O presidente disse tratar-se de uma "nova página da história na Andaluzia".

Os 59 votos do Partido Popular (PP, direita), Cidadãos (direita liberal) e Vox (extrema-direita) deram a maioria absoluta que o candidato precisava, num total de 109 deputados regionais do Parlamento andaluz, para ser eleito à primeira volta. Juan Manuel Moreno substitui a socialista Susana Díaz que assumirá o lugar de líder da oposição no parlamento regional.

Os partidos espanhóis de esquerda criticam o apoio parlamentar que Moreno vai ter do Vox para ser eleito presidente da Junta (Governo regional).

A grande surpresa nas eleições na Andaluzia em dezembro passado foi a forte subida do Vox, que antes não tinha expressão parlamentar e agora obteve 12 deputados regionais num total de 109. A extrema-direita conseguiu este resultado depois de apelar à execução de políticas que impeçam a chegada de mais imigrantes ilegais às costas andaluzes e outras mais firmes e menos dialogantes com os separatistas catalães.

O Vox acabou por renunciar a fazer depender o seu apoio ao novo governo regional à aprovação de várias medidas mais radicais, como a derrogação das leis contra a violência de género, posição que tinha sido considerada "inaceitável" pelo PP.

No mesmo dia em que decorre o debate de investidura, esta quarta-feira, o movimento feminista espanhol está a realizar dezenas de concentrações em todo o país para protestar contra o Vox (extrema-direita) e os partidos políticos que pretendem "comercializar" os direitos das mulheres. A maior dessas manifestações teve lugar em frente ao parlamento, para protestar contra as propostas do Vox sobre a violência machista que atinge as mulheres.

"Os nossos direitos não se negoceiam. Nem um passo atrás na igualdade" é o lema das manifestações que têm lugar ao longo do dia em mais de 50 cidades espanholas e também no estrangeiro.

Esta é uma das medidas polémicas do programa da extrema-direita. Fora do programa ficaram também a criação da legislação para proteger a caça, e a alteração do Dia da Andaluzia de 28 de fevereiro (data do referendo sobre o primeiro estatuto de autonomia) para 2 de janeiro (data da Reconquista aos mouros com a Tomada de Granada).

O presidente elegeu a criação de emprego como "o objetivo principal" do seu programa e "a tarefa mais importante" do novo Governo regional. Durante o seu discurso de mais de uma hora, Moreno repetiu várias vezes a importância da mudança política na Andaluzia, que desde a criação do estatuto de autonomia regional em 1982 é dominado pelo PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

No acordo político está prevista ainda uma secretaria dedicada à família e a substituição da lei autonómica de memória histórica por uma que promova a "concórdia". A redução de impostos e uma lei de defesa da tauromaquia também são novidades contempladas.

No âmbito da educação, prevê-se que os pais possam, a partir de agora, escolher o centro educativo que os filhos frequentam. Podem ainda recusar atividades que têm "carga ideológica ou moral contrária às suas convicções", bem como uma segregação por sexos.

Em entrevista ao DN, o diretor do jornal Diario de Sevilla, José Antonio Carrizosa, disse que "o PP vai ter de ser um mediador constante entre o Ciudadanos e o Vox" e reforça a histórica mudança política e os tempos de incerteza que se iniciam nesta quarta-feira na comunidade autonómica espanhola da Andaluzia.

Juan Manuel Moreno passou mais de metade da sua vida ligado à política, depois de se ter filiado no PP, ao 19 anos, ainda como estudante na Universidade de Málaga. Aos 24 anos, tornou-se vereador da Juventude e Desporto de Málaga e em 1996 foi eleito deputado do Parlamento de Andaluzia. Quatro anos depois, chegaria à política nacional, depois de eleito como deputado. Entre 2011 e 2014, foi secretário de Estado de Serviços Sociais e Igualdade. Em 2015, foi derrotado pela socialista Susana Díaz, a quem sucede agora.

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