Itália quer reabrir escolas mas avisa: "Não podemos errar"

A poucos dias do início de setembro, vários países da Europa preparam o regresso presencial às escolas, mas as autoridades admitem estar preocupadas com uma segunda vaga de covid-19, que tem estado a afetar os mais jovens.

A Itália, o primeiro país da Europa a ser atingido pela epidemia e um dos que foram mais afetados, vai reiniciar o ano letivo presencial em 14 setembro, segundo anunciou hoje o ministro da Saúde.

Depois de registar 254 mil casos de covid-19 e mais de 35 mil mortes, com um severo confinamento de dois meses em março e abril, o país prepara-se para mandar as crianças de volta para a escola e, ao mesmo tempo, conter uma segunda vaga de infeções.

A Itália fará "todos os sacrifícios necessários" para garantir o início do ano letivo a meio de setembro, disse o ministro Roberto Speranza, admitindo estar preocupado com o aumento dos contágios entre os mais jovens.

"Em menos de um mês, teremos de reabrir escolas e universidades com segurança. E não podemos errar. Vai depender do nosso comportamento e do de todos, a começar pelo dos jovens, que devem ter consciência dos riscos", disse Speranza, em entrevista hoje publicada no jornal La Repubblica.

Uma portaria assinada no domingo à noite determinou o encerramento de discotecas e outros locais de festas noturnas, exigindo também o uso de máscaras à noite em locais públicos.

"É um sacrifício, eu sei", afirmou o ministro, "mas é inevitável para enfrentar o desafio de abrir as escolas" porque "a idade média das pessoas infetadas nas últimas semanas caiu drasticamente, para cerca de 39 anos".

"Não podemos parar a escola e cada medida, cada sacrifício pedido, é feito a pensar na reabertura das escolas, que marcará o verdadeiro fim do confinamento", sublinhou o ministro italiano.

O começo das aulas presenciais também foi hoje anunciado na Turquia e irá acontecer em 21 de setembro, três semanas após o início oficial do ano letivo, que será feito à distância e através da internet, segundo o ministro da Educação, Ziya Selçuk.

"Temos de voltar às escolas e começar as aulas presenciais para continuar [o processo de] educação adequado", escreveu no domingo o ministro no Twitter.

"Começar a educação presencial em 21 de setembro está nas vossas mãos", afirmou, acrescentando que foram criados jogos para as crianças brincarem e, ao mesmo tempo, manterem a distância social.

O ano letivo de 18 milhões de alunos turcos foi interrompido em março devido à pandemia, e voltará a ter início em 31 de agosto, com três semanas de educação à distância, período durante o qual as autoridades deverão terminar de delinear as medidas de segurança contra o coronavírus.

As escolas particulares obtiveram permissão para iniciar o ano letivo hoje, porque têm um número menor de alunos matriculados, enquanto as universidades retomarão as aulas presenciais em outubro.

As autoridades anunciaram a criação de uma equipa de mais de 2 mil inspetores para garantir o cumprimento nas escolas das medidas de higiene e segurança, como a medição da temperatura dos alunos e a obrigatoriedade do uso de máscaras.

Os alunos devem manter uma distância mínima de um metro e os professores deverão ter reuniões apenas por videoconferência.

O Conselho Consultivo Científico do Coronavirus, órgão que aconselha o governo sobre as medidas a tomar durante a pandemia, destacou que é difícil para as crianças manter distância social e usar a máscara constantemente, pelo que aconselhou as autoridades a adotar um modelo educacional misto, com aulas presenciais e online.

Desde o início da pandemia, a Turquia contabilizou 249 309 infetados, incluindo 5 974 mortes.

Outro país europeu que marcou hoje o reinício das aulas presenciais foi a Grécia, que anunciou o regresso para 7 de setembro.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do governo, Stelios Petsas, que admitiu que as escolas enfrentarão muitos desafios para garantir que as crianças seguirão as medidas de segurança, como a distância social, a lavagem frequente das mãos e o uso de máscaras quando necessário.

As autoridades gregas reconhecem estar alarmadas com um aumento significativo do número de casos diários de coronavírus detetados, que se manteve acima de 200 nos últimos cinco dias.

O total de casos confirmados de covid-19 na Grécia soma atualmente 7 mil com 228 mortes.

Muitos dos novos casos foram atribuídos a surtos após os tradicionais casamentos de verão e as férias, quando muitas pessoas resolveram ignorar o distanciamento social e as medidas de proteção.

Em países onde as escolas e as aulas presenciais já abriram, como é o caso de vários estados da Alemanha, o número de novos casos de covid-19 tem aumentado e preocupado o governo.

Segundo o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, o maior número de contágios verifica-se entre os mais jovens e, embora esta faixa etária sofra, habitualmente, consequências menos severas, as relações com pessoas mais velhas podem levar a uma escalada do número de mortes, avisou o ministro.

O início das aulas tem registado problemas em vários estados, como em Berlim, onde já foram identificados casos de covid-19 em pelo menos sete escolas.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 766 mil mortos e infetou mais de 21,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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