Itália a votos: aliança dos 4 de centro-direita em alta

Coligação que junta Força Itália, Liga Norte, Irmãos por Itália e Nós por Itália é fórmula com mais intenções de voto para o 4 de março

A mansão do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em Arcore, nos arredores de Milão, voltou a ser notícia este fim de semana. A villa que outrora serviu de palco às polémicas festas bunga bunga, recebeu no domingo uma reunião em que ficou definido que o centro-direita concorrerá unido numa coligação a quatro às próximas legislativas de 4 de março.

Tal aliança é composta pelos partidos Força Itália, Liga Norte, Irmãos por Itália e Nós por Itália e, segundo as sondagens dos últimos dias, é a opção com mais intenções de voto. Aproxima-se dos 40% que são necessários para que qualquer partido ou aliança seja declarado vencedor numas eleições em que pela primeira vez será testado um sistema eleitoral misto.

Berlusconi, de 81 anos, não pode ele próprio concorrer ao cargo de primeiro-ministro devido ao facto de ter sido condenado pela justiça por fraude em 2013 (apesar de ter recorrido recentemente da decisão para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo). Mas tem sido uma presença constante no apoio ao centro-direita, fazendo valer o peso que o seu nome ainda tem em Itália. Em novembro, a coligação de direita que o seu partido, Força Itália, integrava, venceu na Sicília com quase 40%. E agora, Il Cavaliere, como é conhecido, espera poder ver os seus aliados repetirem a proeza a nível nacional.

Segundo a sondagem Tecnè, divulgada esta terça-feira, a coligação de centro-direita tem 39,2%. A Força Itália de Berlusconi tem 18%, a Liga Norte de Matteo Salvini surge creditada com 12,6%, os Irmãos por Itália de Giorgia Meloni 5,3%, o Nós por Itália de Raffaele Fitto 2,6% e outras formações pequenas de centro-direita com 0,7%. Em Arcore só estiveram reunidos os líderes dos partidos maiores: Berlusconi, Salvini e Meloni. No estudo de opinião do instituto Tecnè, o centro-esquerda, ou seja, Partido Democrático de Matteo Renzi e seus pequenos aliados, surge com 25% das intenções de voto. O Movimento 5 Estrelas de Luigi di Maio tem 28,1% e é o partido que, sozinho, mais apoio tem dos italianos. Citado pela Reuters, Carlo Buttaroni, presidente do Tecnè, disse que o grupo de Berlusconi "está muito perto" de obter maioria no Parlamento.

Noutra sondagem, do IPR, a coligação de centro-direita tem 38% (16% para a Força Itália, 13% para a Liga Norte, 6,3% Irmãos por Itália, 2,7% Nós por Itália). No mesmo estudo de opinião, o Partido Democrático e seus aliados de centro-esquerda surgem com 27,5%. O Movimento 5 Estrelas recolhe 28%. Um dos temas em debate nestas eleições é a economia e a pertença de Itália à zona euro. Na terça-feira, Luigi di Maio defendeu o euro. O mesmo fez Silvio Berlusconi. Mas isso não agradou aos seus aliados nacionalistas da Liga Norte.

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