Irmão de Ciro Gomes baleado pela polícia

O senador Cid Gomes tentou parar uma manifestação de polícias no Ceará ao volante de um trator e acabou atingido no peito. Eduardo Bolsonaro e Ciro atacam-se pelas redes sociais. Ministro da Justiça e Segurança Sergio Moro envia tropas para o local

Cid Gomes, irmão do terceiro classificado nas eleições presidenciais do Brasil de 2018 Ciro Gomes, foi atingido na noite de quarta-feira por dois tiros disparados por polícias, ao tentar parar, ao volante de um trator, uma greve das forças de segurança em Sobral, cidade no interior do estado nordestino do Ceará. Atingido no pulmão esquerdo e na clavícula, o senador, ex-ministro e ex-governador daquele estado está livre de perigo, segundo o prefeito da cidade, Ivo Gomes, também seu irmão, e já saiu da urgência do hospital onde passou a noite em observação.

A Secretaria da Segurança Pública do Ceará afirmou que os disparos partiram de "encapuzados amotinados no 3º Batalhão de Polícia Militar". Segundo a constituição brasileira, as forças de segurança estão proibidas de fazer greves, pelo que as autoridades se referem aos atos como "motins".

Cid, 56 anos, havia anunciado horas antes do incidente a ida a Sobral pelas redes sociais, a sua cidade natal, para se opor à manifestação de polícias que bloquearam um quartel da cidade e esvaziaram pneus de viaturas das forças de segurança. O ato não é exclusivo de Sobral: outras greves e outros tumultos vêm sendo registados em cidades do interior do Ceará e em pontos da capital estadual Fortaleza em virtude de um impasse nas negociações de aumentos para a categoria.

No dia 13, representantes dos polícias e o governo do estado, liderado por Camilo Santana, do PT, aliado da família Gomes, ligada ao PDT, de centro-esquerda, haviam chegado a um acordo que, no entanto, desagradou parte da corporação.

Pelo Twitter o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República Jair Bolsonaro, criticou a ação de Cid Gomes. "Ele tenta invadir o batalhão com uma retroescavadora e é alvejado com um projétil de borracha [até certa altura foi noticiado que as balas não eram verdadeiras, informação desmentida depois]. É inacreditável que um Senador da República lance mão de uma atitude insensata como essa, expondo militares e familiares a um risco desnecessário em um momento já delicado".

Pela mesma rede social, Ciro Gomes respondeu: "Deputado Eduardo Bolsonaro, será necessário que nos matem mesmo, antes de permitirmos que milícias controlem o estado do Ceará como os canalhas de sua família fizeram com o Rio de Janeiro".

Outros agentes políticos focaram no ponto da "milicianização das polícias". Para o colunista do portal UOL Reinaldo Azevedo essa "milicianização" já está curso. "A barbaridade a que se assistiu em Sobral [...] é apenas um capítulo de algo muito grave em curso no país: a "milicianização" das polícias. Não, senhores! O crescimento das milícias, com sua consequente infiltração nas polícias civil e militar, já não é mais exclusividade do Rio. Quem acompanha de perto a área de segurança pública no país teme que parte considerável dos governadores se torne refém de verdadeiras organizações criminosas com voz de comando junto a setores das polícias".

Sergio Moro, ministro da justiça e da segurança pública, autorizou na sequência o envio de forças nacionais ao longo desta quinta-feira para Sobral.

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