Irão executa o campeão de luta, apesar dos apelos internacionais e de Trump

Apesar dos apelos da Amnistia Internacional, da Human Rights Watch, do comité olímpico, da FIFA e até de Donald Trump, ficou a saber-se pela televisão estatal iraniana que o lutador Navid Afkari foi executado pelo assassínio de um funcionário público durante "distúrbios" em 2018.

Em 15 de outubro de 2019, o Tribunal Criminal de Shiraz condenou Navid Afkari, de 27 anos, um lutador profissional que era vice-campeão nacional iraniano, à pena de morte pelo alegado assassínio de Hassan Turkman, um agente da lei, durante os protestos de agosto de 2018 em Shiraz.

O caso de Afkari desencadeou uma campanha internacional de solidariedade, que envolveu diversas organizações desportivas e de defesa dos direitos humanos, que apontavam o lutador de 27 anos e os seus irmãos como vítimas da justiça iraniana por terem participado em manifestações contra o regime do país, em 2018.

A organização humanitária Human Rights Watch, o COI e a FIFA uniram-se no apoio do lutador iraniano preso em setembro de 2018 por dezenas de acusações, incluindo participação em manifestações ilegais, insulto ao líder supremo do Irão, roubo, inimizade em relação a Deus e homicídio.

Mas, apesar de vários recursos e apelos, a sentença foi executada no sábado na prisão de Adelabad, em Shiraz, segundo anunciou na televisão estatal o procurador-geral da província de Fars, Kazem Mousavi.

Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou interceder em seu favor, mas de nada valeu.

Na semana passada, tinha sido transmitida pela televisão uma confissão do lutador que os grupos de defesa dos direitos humanos acreditam ter sido forçada e conseguida debaixo de tortura. A Amnistia Internacional pediu uma revisão judicial da sentença de morte, mas esta foi rejeitada sumariamente pelo Supremo Tribunal.

"Estes irmãos são as mais recentes vítimas do profundamente errado sistema de justiça criminal do Irão e o seu caso é mais uma prova de que os tribunais iranianos se baseiam sistematicamente em 'confissões' obtidas sob tortura, em violação das leis internacionais", declarou, Diana Eltahawy, diretora da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África à Sky News.

Em comunicado, o Comité Olímpico Internacional expressou a sua consternação com a notícia da execução do lutador.

"É profundamente lamentável que os apelos de atletas de todo o mundo, do comité olímpico internacional, do comité iraniano e da federação internacional de luta não tenham sido ouvidos", refere o comunicado, manifestando total solidariedade com a família do lutador.

Mais Notícias