Inglaterra proíbe ajuntamentos com mais de seis pessoas. Boris Johnson quer milhões de testes diários

O aumento de novas infeções levou o primeiro-ministro britânico a anunciar a proibição de ajuntamentos com mais de seis pessoas em Inglaterra, em espaços interiores e exteriores, a partir de segunda-feira. Boris Johnson avisou que as autoridades vão estar atentas ao cumprimento da denominada "regra dos seis".

Com o número de novas infeções a aumentar no Reino Unido, o primeiro-ministro, Boris Johnson, anunciou, esta quarta-feira, a "regra dos seis". A partir de segunda-feira (14 de setembro), em Inglaterra, passam a ser proibidos os ajuntamentos com mais de seis pessoas em espaços interiores ou exteriores.

A medida, disse o chefe do governo britânico, serve para "evitar um segundo confinamento" a nível nacional.

O número máximo de pessoas que podem reunir-se socialmente passa então de 30 para seis, com algumas exceções, que passam por agregados familiares com mais de seis elementos, os locais de culto religioso, ginásios e restaurantes.

Os locais de trabalho, assim como a escola, casamentos, funerais e desportos organizados que respeitem as medidas de segurança para reduzir o risco de infeção não serão afetados por esta medida.

Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro lamentou ter de dar mais este passo no combate à pandemia, mas afirmou: "Como vosso primeiro-ministro tenho de fazer o que é necessário". E avisou que as autoridades vão estar atentas ao cumprimento da "regra dos seis".

Multas podem atingir os 3.500 euros

A partir de segunda-feira, qualquer pessoa que viole a lei incorre numa multa de 100 libras (110 euros) e se reincidir pode ir até 3.200 libras (3.500 euros).

Bares e restaurantes vão também ser obrigados a recolher os dados pessoais dos clientes para poderem disponibilizar ao sistema de rastreamento.

Boris Johnson referiu que está a "simplificar e a fortalecer as regras" para que seja mais fácil o entendimento das mesmas e a resposta das forças de segurança.

Esta é a primeira vez que são impostas restrições a nível nacional desde que o confinamento decretado em março começou a ser levantado, em maio, e reflete a preocupação do governo com o agravamento da situação epidémica e o receio de uma nova vaga da pandemia covid-19.

Nos últimos meses, as autoridades britânicas têm procurado combater surtos com restrições locais, nomeadamente em cidades e regiões na Escócia e País de Gales, norte e centro de Inglaterra.

Nos últimos sete dias, foram registadas mais de 15 mil novas infeções, a maioria das quais de pessoas com idades entre 10 e 29 anos.

Até agora, era possível a dois agregados familiares de qualquer tamanho reunirem-se em espaços fechados ou ao ar livre, ou ajuntamentos de até seis pessoas de diferentes famílias ao ar livre, mas a polícia não tinha poderes para impedir ajuntamentos até 30 pessoas.

As regras variam dentro do Reino Unido devido à autonomia das diferentes nações, pelo que, por exemplo, na Escócia são autorizados encontros de até oito pessoas de três famílias diferentes em espaços fechados, na Irlanda do Norte estão limitados a seis pessoas de duas famílias, mas no País de Gales podem ir até quatro famílias.

Esta quarta-feira, o Reino Unido registou 2.659 novas infeções e mais oito mortes, de acordo com os dados do Ministério da Saúde britânico.

O total acumulado de casos de contágio desde o início da pandemia da covid-19 no Reino Unido passou hoje para 355.219 e o número de mortes para 41.594.

O Reino Unido apresenta desta forma o maior número de mortos na Europa e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

Plano para testes em massa com resultados num curto espaço de tempo

Aos jornalistas, o governante anunciou a vontade de que, num "futuro próximo", o Reino Unido possa processar milhões de testes à covid-19 por dia para permitir o funcionamento normal dos locais de trabalho, espetáculos e eventos desportivos e reduzir o período de quarentena.

Boris Johnson disse que o Governo britânico tem um plano para implementar "testes em massa", que sejam "simples, rápidos e escaláveis" e que produzam resultados em entre 20 e 90 minutos.

"No futuro próximo, esperamos começar a usar testes para identificar pessoas que são negativos, que não têm coronavírus e não são contagiosas, para que possam comporta-se de forma mais normal sabendo que não podem infetar ninguém com o vírus", afirmou.

Segundo o primeiro-ministro, o objetivo é processar milhões de testes diariamente para permitir às pessoas "fazerem vidas mais normais sem a necessidade de distanciamento social", por exemplo em teatros e recintos desportivos, que poderão testar os espetadores e deixar entrar aqueles com resultado negativo.

Dados de hoje indicam que o país tem capacidade para realizar 370 mil testes, mas só processou cerca de 175.700, tendo nos últimos dias sido noticiados constrangimentos no sistema.

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