Igreja não autoriza acesso do Estado espanhol ao Vale dos Caídos

O prior do Vale dos Caídos afirma que há falta de consenso entre a família de Franco e que os tribunais estão a analisar o tema.

O pedido do governo espanhol para aceder ao Vale dos Caídos para exumar o ditador Francisco Franco foi recusado por Santiago Cantera, prior da abadia de Santa Cruz do Vale dos Caídos. A ministra da Justiça, Dolores Delgado, solicitou a autorização para se dar cumprimento à lei da memória histórica, mas no dia 26 de dezembro o religioso não autorizou o acesso ao controverso monumento de homenagem às vítimas da guerra civil espanhola no qual estão enterrados os fascistas Primo de Rivera e Francisco Franco, noticiou o El País.

Em carta enviada ao governo, Santiago Cantera alega que não pode autorizar o acesso ao templo uma vez que os descendentes de Franco não dão autorização. O El País recorda que o representante da família do ditador reiterou várias vezes que a família discorda da exumação e que, a acontecer, só aceitam que se realize a trasladação dos restos mortais para o túmulo familiar, situado na catedral de La Almudena, no centro de Madrid. Esta ideia, por sua vez, não tem recetividade por parte do governo.

O clérigo alega ainda que o caso está em tribunal e que cabe ao Supremo Tribunal a sua resolução.

Para o governo socialista a resposta do prior já era esperada. Em comunicado, recordou que Santiago Cantera foi candidato às eleições, em 1993 e em 1994, pelo partido Falange Espanhola Independente, antes de ingressar na vida religiosa.

Em julho, o governo socialista de Pedro Sánchez decidiu retirar do Vale dos Caídos os restos mortais de Franco como forma de acabar com a glorificação do ditador e do regime fascista. Além do ditador e do fundador da Falange, Primo de Rivera, estão enterrados 34 mil pessoas no mausoléu. Milhares de presos republicanos foram forçados a trabalhar na construção do templo, entre 1940 e 1958.

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