Homem tinha dois mil ossos humanos em casa. Diz que era colecionador

FBI fez buscas na habitação de um veterano de guerra, no Indiana.

No meio de 40 mil artefactos da coleção do falecido veterano de guerra, Don Miller foram encontrados 2000 ossos humanos, que pertencem a 500 seres humanos diferentes.

A investigação a Miller, noticia a CBS, iniciou-se em 2014, depois de o FBI ter suspeitado que este tinha adquirido alguns objetos da sua coleção, localizada na sua casa no Indiana, de forma ilegal, algo que o homem acabou por admitir e que resultou na apreensão de 5000 artefactos por parte da agência. O chefe da unidade de combate ao crime com obras de arte do FBI, Tim Carpenter. Afirma que quando visitou a casa de Miller pela primeira vez e viu a sua coleção, ficou surpreendido pois "nunca tinha visto algo assim".

O veterano convidava as pessoas a visitar a sua casa e a ver a sua coleção, como se esta fosse um museu. Este admitiu ter visitado 200 países para encontrar artefactos. O Indianapolis Star depois de ter visitado a casa de Miller em 1998, declarou que balas da guerra civil, uma canoa do rio da Amazónia e dois ovos que este acreditava pertenceram a dinossauros, faziam parte da sua coleção.

A descoberta foi uma surpresa para as pessoas que conheciam Don Miller. Os amigos e colegas de trabalho do veterano, descreveram-no, em entrevista ao Indianapolis Star, como um viajante do mundo, que realizava trabalho missionário e que gostava de visitar expedições amadoras. Liz Dykes, uma ex-repórter local do Indiana, que entrevistou o veterano contou à CBS que Miller era um homem muito adorado e carismático. A esposa disso à CBS que "não conseguia comentar a situação neste momento".

Segundo a investigação do FBI, acredita-se que quase todos os restos humanos pertencem a locais de enterro de nativo americanos, que têm sido alvo de roubo por pessoas que procuram artefactos ou esqueletos. "Infelizmente, existe um mercado, não necessariamente para os restos humanos, mas muitas vezes para o que está enterrado com eles. Cerâmica, joias ou outro tipos de objetos de arte, pelos quais as pessoas pagam muito dinheiro", declarou Francis McManamon, diretor do Centro de Antiguidade Digital da Arizona da Universidade de Arizona e ex-arqueólogo chefe do National Park Service, ao The Guardian.

Os locais de enterro dos nativos americanos são protegidos pelo Native American Graves Protection and Repatriation Act, aprovado em 1990, que dá o direito ao povo de determinar o que fazer com os artefactos encontrados em locais de sepultamento e autorizar ou não escavações arqueológicas dos locais. No entanto, o caso de Miller não é único nos Estados Unidos. Três homens, no Ohio foram condenados em 2016 por venderem restos humanos ilegalmente e outro acusado de os comprar.

Uma professora de arqueologia, Holly Cusack-McVeigh acusou os praticantes destes atos de "racistas". "Isto resume-se a um direito humano básico (...) quem tem sido alvo de roubos de túmulos por séculos? que ancestrais são+ colecionados como hobby?"

Até agora, o FBI já devolveu itens da coleção de Miller a vários países, incluindo Camboja, Canadá, Colômbia e México. Uma delegação chinesa irá a Indianápolis esta semana para reivindicar artefactos. Já foram devolvidos alguns restos ancestrais às tribos da região de Dakota do Sul e o FBI está a planear uma repatriação em larga escala nos próximos meses. O tamanha da coleção do veterano de guerra, tem complicado a investigação do FBI, pois é necessário compreender quais artefactos foram importados e quais foram roubados, o que envolve entrar em contacto com diversas entidades internacionais.

Pete Coffey, um funcionário da tribo de Arikara, na Dakota do Norte, confessou à BBC sentir que o seu povo é tratado "como curiosidades em vez de como pessoas".

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