Homem abatido em Paris levava colete de explosivos falso

Ministro do Interior diz que é cedo para falar de terrorismo. Incidente acontece um ano depois do ataque ao Charlie Hebdo

Um homem foi abatido a tiro por agentes da polícia hoje de manhã em frente de uma esquadra do 18.º bairro de Paris, no norte da cidade, quando tentava entrar no edifício.

Uma testemunha citada pela agência France Presse disse ter ouvido "dois ou três tiros" na rua Goutte d'Or, onde vive uma importante população de origem magrebina e africana.

O homem estava armado com uma faca e, enquanto tentava entrar no edifício, gritava "Alahu Akbar" (Alá é grande). Além disso, envergava o que parecia ser um colete de explosivos.

No entanto, mais tarde, após uma análise por uma equipa de minas e armadilhas, o sindicato da polícia informou que se tratava de um colete falso.

O homem levava também, informou depois o Ministério Público, um telemóvel e uma folha de papel com a bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico e uma frase em árabe a reivindicar o ataque.

O caso está a ser investigado pela secção antiterrorista da Brigada Criminal de Paris e pela DGSI (Diretoria Geral para a Segurança Interna).

Uma correspondente do New York Times em Paris, Anna Polonyi, que se encontrava num apartamento em frente à esquadra, publicou no Twitter várias imagens do corpo do homem estendido no chão à porta da esquadra de polícia.

A jornalista contou à Reuters que a irmã assistiu a tudo: que os agentes da polícia lhe gritaram e que este começou a correr em direção a eles. Foi então que estes dispararam.

Os dois polícias estão, segundo o jornal Le Fígaro, a ser ouvidos.

As circunstâncias do incidente não foram divulgadas até ao momento, mas acontecem precisamente um ano após o atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo e enquanto decorria uma homenagem às forças policiais na sede da polícia em Paris, com a presença do presidente François Hollande.

Após o incidente, as forças de segurança bloquearam o acesso a várias ruas nos arredores da esquadra e fecharam várias estações de metro. Além disso, a segurança foi reforçada nas escolas.

As autoridades dizem que nada leva a crer que o homem tinha um cúmplice.

O gabinete do ministro do Interior francês afirmou à France Info que "é muito cedo para falar de ato terrorista".

O porta-voz de Bernard Cazeneuve, Pierre-Henry Brandet, alertou para a necessidade de ser prudente e que para já "trata-se de uma agressão".

O governante confirmou que o colete de explosivos usado pelo agressor era falso e considerou que este caso é a prova de que as forças de segurança estão "vigilantes".

Ao início da tarde, Cazeneuve visitou o local com a presidente de Paris, Anne Hidalgo. "A identificação está em curso e tudo será feito para perceber as motivações deste gesto", afirmou o ministro.

O incidente é semelhante a um outro que aconteceu em dezembro de 2014 na esquadra de Joué-lès-Tours.

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