Dois terminais reabertos no aeroporto de Orly após ataque a militar

Homem roubou arma a militar e foi abatido. Voos da TAP foram desviados para o aeroporto Charles de Gaulle

Um homem foi hoje abatido no aeroporto de Orly, em Paris, depois de ter roubado uma arma a um militar do dispositivo de vigilância antiterrorista. Cerca das 7:30 de Lisboa (8:30 em Paris), "um homem tirou a arma a um militar e depois refugiou-se numa loja do aeroporto antes de ser abatido pelas forças de segurança", declarou à AFP um porta-voz do Ministério do Interior francês, Pierre-Henri Brandet.

"O tráfego aéreo foi completamente interrompido", indicou um porta-voz da Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC), tendo sido entretanto restabelecido. Os dois terminais - Oeste e Sul - do aeroporto de Orly foram reabertos, o primeiro ao final da manhã e o segundo quase três horas depois.

O regresso à total normalidade em Orly-Sul, porém, deverá acontecer somente durante a manhã de domingo, segundo disse à France Presse, Augustin de Romanet, responsável dos Aeroportos de França.

A operação policial que decorre no perímetro do aeroporto já determinou que não havia explosivos no terminal. Nenhum passageiro em trânsito ficou ferido, mas a patrulha de três militares que foi visada pelo atacante ficou em estado de choque e teve de ser assistida. Segundo revelou ao Le Figaro uma testemunha no local, o homem conseguiu fazer refém uma militar, usando a arma dela para ameaçar os outros dois elementos da patrulha antes de ser dominado e baleado mortalmente.

De acordo com a AFP, que cita fonte governativa, o homem abatido estava referenciado pela polícia e era conhecido dos serviços secretos. O Le Figaro escreve que tem nacionalidade francesa, terá nascido em 1978 e tinha cadastro por delitos ligados ao tráfico de estupefacientes. Estaria a ser vigiado pelos serviços secretos porque as autoridades suspeitavam que se tinha radicalizado na prisão. Foi entretanto identificado como Ziyed B.

A polícia francesa confirmou entretanto que o homem abatido foi o mesmo que, horas antes, estivera envolvido num tiroteio com agentes em Stains, Seine-Saint-Denis: mandado parar durante uma operação de controlo rodoviário, tentou balear os polícias e acabou por ferir um dos agentes, que não corre risco de vida. O tiroteio aconteceu pelas sete da manhã - menos uma hora em Lisboa - o que significa que, provavelmente depois deste incidente, o atacante seguiu para Orly, onde tentou levar a cabo o atentado. Antes, terá trocado de roupa e de automóvel: a AP refere que roubou um carro à mão armada.

"Nós estávamos em fila para fazer o 'check in' para um voo para Telavive quando ouvimos três ou quatro tiros perto", afirmou uma testemunha, Franck Lecam, citada pela AFP.

A agência Reuters revela que o pai e o irmão do agressor foram detidos pela polícia para interrogatório, um procedimento habitual neste tipo de situação.

As autoridades estão a pedir às pessoas que tenham voos com partida ou chegada em Orly que procurem alternativas.

O aeroporto de Orly é o segundo maior da capital francesa e fica a cerca de 13 quilómetros a sul de Paris. O ministro do Interior francês, Bruno Le Roux, e o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, já se encontram em Orly. A investigação foi entregue à polícia antiterrorismo.

Dois voos da TAP obrigados a divergir

Dois voos da TAP com destino a Paris-Orly tiveram hoje de ser divergidos para a pista de Charles de Gaulle. Fonte oficial da TAP Portugal disse à Lusa que o incidente está a ser tratado como "um atentado" e que apesar da TAP não operar no terminal onde aconteceram os incidentes, "todo o aeroporto foi fechado, sendo que dois voos que partiram do aeroporto de Lisboa tiveram de ser desviados para o Charles de Gaulle".

Em relação a um terceiro voo de Lisboa que tinha destino a Orly, e que já se encontrava fechado, foi adiado. O CEO do aeroporto de Orly admite mesmo que o terminal Sul fique encerrado até ao final do dia de sábado. O terminal Oeste reabriu pelas 12:30 em Lisboa.

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