Hollande tira jantar (e vinho) da agenda para receber Rouhani

Protocolo para a visita do presidente do Irão a França já tinha sido testado em novembro. Desta vez, não houve percalços

A visita oficial de Hassan Rouhani a França estava marcada para novembro de 2015, mas acabou por ser cancelada devido aos atentados de Paris, que aconteceram no dia 13 desse mesmo mês. Realiza-se agora, depois de o presidente iraniano já ter passado por Itália, onde a sua visita causou polémica: apesar de ambos os governos - iraniano e italiano - negarem ter estado por trás da decisão, certo é que as estátuas de nus nos museus visitados por Rouhani estavam cobertas, alegadamente para não ofender o chefe de Estado estrangeiro.

"Sei que os italianos recebem muito bem os seus convidados, são pessoas que procuram deixar os convidados à vontade e eu agradeço", disse, o presidente do Irão, negando no entanto tal pedido. Rouhani seguiu então para França, onde chegou na quarta-feira e já esteve reunido com várias delegações empresariais. Mas o Eliseu, ao contrário do que aconteceu com a presidência italiana, estava melhor preparado para evitar problemas diplomáticos.

A verdade é que a experiência também conta: na visita de Rouhani que estava prevista para novembro do ano passado, a presidência francesa queria brindar o seu convidado com um jantar onde seria servida uma seleção de vinhos, como manda a tradição. Mas o islão proíbe o consumo de álcool, pelo que Rouhani tinha recusado estar presente nessa ocasião, rompendo o protocolo.

Novo agendamento da visita e o problema foi resolvido: o presidente do Irão será recebido durante a tarde no Eliseu e qualquer jantar de gala fica de fora do calendário. Não há gesto de cortesia, mas também não há recusas a ensombrar uma ocasião que se anuncia proveitosa para a economia francesa, já que o levantamento das sanções ao Irão pelas Nações Unidas e União Europeia permitirá relançar as relações económicas entre os dois países.

Alguns meios de comunicação franceses chegaram a avançar que um almoço de Hollande com Rouhani teria sido cancelado, novamente devido ao álcool, mas a informação foi desmentida pelo Eliseu.

Não é a primeira vez que a França se depara com o problema do vinho: em 1999, o presidente Jacques Chirac resolveu a questão oferecendo um lanche ao homólogo iraniano Khatami.

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