Hollande e o "acordo secreto" com a UE para não cumprir o défice

Revelações em livro que já é considerado "suicídio político" do presidente francês

François Hollande fez um "acordo secreto" com a União Europeia para não cumprir as metas do défice, apresentou sempre previsões orçamentais falsas e mentiu aos seus eleitores sobre isso durante anos. As revelações constam num novo livro, de dois jornalistas do Le Monde, e não foram desmentidas pelo presidente francês.

No livro "Un président ne devrait pas dire ça..." (Um presidente não deveria dizer isto..., em tradução literal), os jornalistas Gérard Davet e Fabrice Lhomme revelam dados que muitos analistas já consideram "suicídio político".

Entre as vozes críticas, segundo noticia esta quarta-feira o Expresso, está o próprio primeiro-ministro de Hollande, Manuel Valls, que já disse que os militantes socialistas sentem "vergonha e cólera" pelas revelações.

A obra é fruto de cinco anos de investigação, nos quais se realizaram 61 entrevistas e mais de 100 horas de gravações de conversas com François Hollande.

Como destaca o semanário português, que leu a obra, a promessa de François Hollande à União Europeia de manter o défice francês abaixo dos 3% do PIB foi "uma mentira pura e simples, aceite por todas as partes".

"Por todas as partes" significando a Comissão Europeia tanto no período da presidência de Durão Barroso como na do atual presidente, Jean-Claude Juncker.

"Podemos escrever que, durante todo o quinquénio, as autoridades francesas apresentaram previsões do défice intencionalmente falsas, e isso com a aprovação das próprias autoridades europeias", lê-se no livro, citado pelo Expresso.

Isto tem sido assim desde 2013, escrevem os autores, sendo o "acordo" para vigorar "até 2017".

Desta forma, a França escapou sempre a qualquer processo de sanções por incumprimento das metas acordadas.

Hollande é mesmo citado a explicar como este estatuto especial é possível: "É o privilégio dos grandes países (...) nós dizemos: nós somos a França, nós protegemos-vos, temos umas forças armadas, uma força de dissuasão, uma diplomacia (...) eles, os europeus, sabem que precisam de nós e portanto isso paga-se".

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