Holanda vai contar votos à mão para evitar manipulação russa

Agências de inteligências alertaram para o risco de manipulação nas próximas eleições legislativas holandesas

Os votos das eleições legislativas de 15 de março na Holanda vão ser contados à mão, uma medida do governo para prevenir a fraude eleitoral, numa altura em que há "indícios do interesse da Rússia" no processo eleitoral.

A medida foi anunciada esta quarta-feira pelo ministro do Interior holandês Ronald Plasterk. O governo quer manter a confiança do público no sistema eleitoral e acredita que uma votação eletrónica está sujeita a ataques informáticos que descredibilizam o processo.

Agências de inteligência avisaram que as eleições na Holanda, assim como as francesas e as alemãs, que também estão agendadas para este ano, estão vulneráveis a manipulação por parte de agentes externos, como a Rússia, segundo a Reuters.

"Relatórios recentes sobre as vulnerabilidades no nosso sistema levantaram a questão sobre se os resultados poderiam ser manipulados", disse Plasterk num comunicado. "Não pode haver sombra de dúvidas".

"Agora que há indicações do interesse da Rússia, vamos ter de recorrer ao velho papel e caneta nas próximas eleições", continuou o ministro do Interior, acrescentando que o resultado das eleições não deverá demorar muito mais tempo a ser divulgado por causa desta alteração.

Há cerca de 12,6 milhões de eleitores registados na Holanda mas as autoridades eleitorais acreditam que conseguem revelar os resultados preliminares assim que as urnas fecharem. Este não costuma ser muito diferente do resultado final, explica a Reuters.

Meios de comunicação holandeses já tinham afirmado que o sistema eletrónico para a votação utilizado no país desde 2007 não é completamente seguro.

A insegurança aumentou após as eleições nos Estados Unidos, já que algumas agências de inteligência dizem haver indícios de interferência por parte da Rússia. O governo de Moscovo sempre negou esta acusação.

Os holandeses vão ter de escolher entre os 31 partidos e as primeiras sondagens afirmam que o Partido para a Liberdade de Geert Wilders, que é contra a imigração e contra a União Europeia, deverá conseguir um grande número de votos nestas eleições legislativas, segundo o El País. Ao mesmo nível surge o Partido Popular para a Liberdade e Democracia, do atual primeiro-ministro Mark Rutte.

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