Guinness muda "critérios desatualizados" e valida recorde de enfermeira

Jessica Anderson é mesmo a atleta mais rápida a percorrer uma maratona vestida de enfermeira, apesar de não ter corrido de saia. Entidade que regula os recordes mundiais reconhece que regulamentos refletiam um estereotipo

A história de Jessica Anderson, enfermeira britânica que se tornou a mulher mais rápida a correr a maratona enquanto usava uma farda de enfermeira, correu mundo pela recusa do Guinness World Records em reconhecer o recorde. Tudo porque tinha corrido com calças e não com a farda oficial: saia e touca. Esta terça-feira, depois de a sua história ter provocado vários protestos nas redes sociais, Jessica anunciou que o Guinness tinha mudado a sua decisão e que vai, afinal, ver reconhecido o seu recorde..

A Guiness World Records já tinha anunciado que estava a reavaliar o feito de Jessica. No dia 4 de maio a organização escreveu na rede social Twitter ser "muito claro que este recorde e respetivas regras há muito que precisam de ser revistos, o que faremos nos próximos dias".

A reavaliação foi rápida e, três dias depois, terça-feira, na sua conta na rede social Instagram, Jessica Anderson agradeceu ao Guinness World Records e admitiu que para ela "o problema ia para além de ganhar um prémio". "Tomei uma decisão consciente de usar o meu uniforme habitual durante a corrida, sabendo que o recorde poderia não ser contado. Estaria a falhar à minha profissão se usasse um vestido." A enfermeira britânica não se esqueceu de agradecer não só aos colegas, amigos e familiares, como às centenas de enfermeiros e pessoas pelo apoio prestado nos últimos dias.

Três horas, oito minutos e 22 segundos foi o tempo que valeu a Jessica Anderson o recorde do Guinness World Records. A enfermeira já tinha usado as redes sociais para enviar uma mensagem à organização: "Isto é como se parece a mulher mais rápida a correr uma maratona num uniforme de enfermeira".

Samantha Fay, vice-presidente do Guinness World Records, admitiu ao The Guardian que os critérios de avaliação - nomeadamente a que obrigava a farda a incluir uma touca e uma saia - estavam "desatualizados e refletiam um estereotipo" que não queriam "perpetuar".

"Quero aproveitar a oportunidade para assegurar a todos os que estão preocupados que o Guinness World Records está completamente comprometido em assegurar os mais altos padrões de igualdade e inclusão. Pedimos desculpas e aceitamos total responsabilidade," disse a vice-presidente.

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