Guerra aberta pela sucessão de Schulz no Parlamento Europeu

Líder do PPE acusa socialistas e liberais de violarem acordo escrito. ALDE recusa entrada no grupo de eurodeputados italianos do eurocético Movimento 5 Estrelas

O líder dos eurodeputados conservadores, Manfred Weber, disse ontem que se socialistas e liberais não honraram o acordo de 2014 - no qual aceitam uma partilha do mandato de presidente do Parlamento Europeu entre PPE e S&D - serão "responsáveis pela influência crescente dos populistas".

Em causa está a sucessão do alemão Martin Schulz, que ocupou o cargo durante dois anos e meio. O seu substituto é eleito no dia 17, mas o processo está longe de ser pacífico (e ninguém tem maioria absoluta de 751 eurodeputados). Segundo um acordo de cavalheiros que existia entre PPE e S&D, os restantes dois anos e meio de mandato seriam para um conservador, que neste caso seria o ex-comissário europeu italiano Antonio Tajani. A questão é que, desta vez, os socialistas decidiram que o acordo já não faz sentido e apresentaram um candidato próprio, o também italiano Gianni Pittella. O mesmo fizeram os outros grupos políticos.

Até hoje sempre se disse que aquele era um acordo não escrito, mas antes de falar ontem em conferência de imprensa, Manfred Weber fez questão de mostrar aos deputados do PPE - e não só - que não é bem assim. O acordo de entendimento, afinal, ficou escrito e data de junho de 2014, envolvendo numa primeira fase PPE e S&D e depois numa fase seguinte também os liberais do ALDE. "Os grupos PPE e S&D concordam que, na legislatura 2014-2019, apoiar-se-ão mutuamente na eleição do presidente do Parlamento Europeu. Concordam que o S&D nomeará o presidente do Parlamento Europeu na primeira metade da legislatura e o PPE na segunda metade." Assim diz o documento datado de 24 de junho de 2014. Este foi enviado aos eurodeputados do PPE por Weber e divulgado por sites especializados em assuntos da UE, como por exemplo o EUObserver.com.

Um outro documento mostra que, no dia 26 de junho de 2014, aderiram também ao acordo os liberais do ALDE liderados pelo belga Guy Verhofstadt. "O acordo de entendimento assinado pelo PPE e pelo S&D é extensível ao grupo do ALDE", lê-se no documento, o qual prossegue dizendo: "PPE e S&D comprometem-se a apoiar candidatos do grupo ALDE no Parlamento Europeu." Ora agora o próprio Guy Verhofstadt é candidato a presidente da eurocâmara. Mas na segunda-feira sofreu um duro revés ao ver o seu grupo parlamentar liberal rejeitar a entrada no grupo do ALDE dos 17 eurodeputados do Movimento 5 Estrelas, movimento eurocético italiano.

Na conferência de imprensa de ontem Manfred Weber acusou os socialistas e os liberais de estarem a "negociar nos bastidores" com os grupos políticos eurocéticos e populistas para conseguirem a liderança da eurocâmara. "O PPE é um dos poucos grupos decididos a rejeitar qualquer tipo de cooperação com grupos eurocéticos. Continuaremos a ser contra eles", declarou aos jornalistas o presidente dos eurodeputados conservadores. Sobre a abertura de Verhofstadt ao 5 Estrelas de Beppe Grillo, Weber disse que isso veio alterar o jogo. "O PPE tem sido um parceiro de confiança e quer apenas que os outros façam o mesmo", acrescentou ontem Manfred Weber.

Segundo o conservador alemão, o acordo assinado em 2014 "não tem qualquer vínculo com outras instituições europeias". Weber refere-se ao facto de os socialistas e liberais poderem apoiar o candidato do PPE para a eurocâmara se mais tarde, em maio, quando acaba o mandato de Donald Tusk como presidente permanente do Conselho Europeu, for um socialista a suceder-lhe nesse cargo criado pelo Tratado de Lisboa. Tusk, que poderia vir a ser reconduzido, tem contra si o próprio governo polaco, que está nas mãos do partido do ex-primeiro-ministro conservador Jaroslaw Kaczynski.

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