Guaidó pede à UE para agravar as sanções contra o regime de Maduro

Autoproclamado presidente interino da Venezuela foi ao Parlamento Europeu descrever um cenário de "usurpação de funções, violação de direitos humanos", como "encarceramentos, tortura, ou perseguições" do atual governo de Nicolás Maduro.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó pediu esta quarta-feira, em Bruxelas, para a União Europeia endurecer as sanções contra o regime de Nicolas Maduro.

Juan Guaidó esteve com representantes de várias instituições, entre os quais o Alto Representante para a política externa, Josep Borrell, com quem discutiu "o agravamento da situação na Venezuela". Ambos falaram da atuação do governo "contra o funcionamento democrático da Assembleia Nacional e dos deputados".

Guaidó descreveu um cenário de "usurpação de funções, violação de direitos humanos", como "encarceramentos, tortura, ou perseguições", tendo ainda acusado Maduro de desenvolver "vínculos com grupos terroristas".

No relato que apresentou constam ainda críticas a uma governação que deixa "cidades inteiras sem água ou electricidade", bem como hospitais em que "falta o mais básico". Numa declaração conjunta, Guaidó e Borrell consideraram "necessária e urgente uma abordagem concertada, tanto entre os atores na Venezuela quanto na comunidade internacional, para um processo político relevante".

Borrell espera que seja encontrada "uma solução pacífica e democrática da crise, com base em eleições presidenciais e legislativas credíveis e transparentes", tendo pedido à oposição "para trabalhar em conjunto nesse processo".

No Parlamento Europeu, onde esteve reunido com diversos grupos políticos -- sem contar com o grupo da Esquerda Unitária e Esquerda Nórdica Verde -- Juan Guaidó considerou que a União Europeia deve utilizar o instrumento "eficaz", porém "controverso", das sanções contra Nicolas Maduro.

"As sanções hoje, - apesar de serem polémicas - são a ferramenta que tem o mundo livre, para pressionar esse tipo de regimes", os quais tinha apelidado de "ditaduras", defendeu Guaidó, tendo prometido "trabalhar" para que haja "eleições livres e democráticas", no país, que conduzam a uma situação de "estabilidade".

"Uma Venezuela livre, oferece uma alternativa a uma América completamente livre, e um grande parceiro para todas as democracias e para a defesa dos valores fundamentais em todo o mundo", defendeu Juan Guaidó, que está de passagem por Bruxelas, a caminho do fórum de Davos.

Numa declaração ao DN, considerou "importante para todos os Venezuelanos" que a sua "luta" seja "reconhecida" pelo Parlamento Europeu.

"Estamos aqui, recebidos e reconhecidos, que é uma luta para todos e isso é muito importante para todos os venezuelanos", afirmou.

"Eles militarizaram o palácio"

A 5 de janeiro, numa eleição controversa, o rival de Guaidó, o deputado Luis Parra, substituiu-o nas funções de presidente da Assembleia Nacional. Durante várias horas, a polícia tentou impedir que o opositor de Nicolas Maduro entrasse na instituição, enquanto decorria o processo de eleição da liderança da Assembleia.

"Eles militarizaram o palácio [da Assembleia Nacional], trataram de bloquear as portas", relatou, perante os eurodeputados, por quem foi recebido, no Parlamento Europeu, e a quem pediu que imaginassem "por um segundo, que os parlamentares não podem entrar porque há militares a bloquear as portas".

O eurodeputado Paulo Rangel (PSD), que esteve reunido com Juan Guaidó considera que a União Europeia "tem de forçar" o governo atual na Venezuela, embora pela via "pacifica" em sem "nenhum derramamento de sangue", acreditando que, assim, "Nicolas Maduro vai deixar a presidência, e entrar num processo de diálogo", a partir do qual "podem encontrar-se várias soluções", nomeadamente "a realização de eleições".

A eurodeputada Maria Manuel Leitão Marques (PS) salientou que "apenas reconhece a eleição de Juan Guaidó, e não a de Luis Parra, como presidente da Assembleia Nacional", pois Guaidó "foi eleito de acordo com a Constituição Venezuelana".

"Apoiamos sanções que se apliquem diretamente e apenas aos responsáveis por esta situação humanitária catastrófica", considerou a eurodeputada, defendendo que sejam levadas a cabo eleições presidenciais "justas e transparentes, sem qualquer intervenção militar".

Por sua vez, a Eurodeputada do Partido Comunista Sandra Pereira repudia o apoio e reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, já que "ele não foi eleito pela vontade popular". Por essa razão, considera que "há uma ingerência externa, quer por parte da União Europeia, que foi a reboque dos Estados Unidos, quer por parte dos Estados Unidos, que reconheceram Guaidó como presidente da Venezuela".

Mais Notícias