Gentiloni reitera fidelidade ao legado de Matteo Renzi

Emprego, juventude e coesão territorial são apostas do primero-ministro. Governo não apresentará proposta de lei eleitoral

A tradicional mensagem de final de ano do novo primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni - que tomou posse a 12 de dezembro - foi, em parte, um tributo ao seu antecessor, Matteo Renzi. "Seria um erro esquecer o trabalho do governo anterior", disse o chefe do governo, sublinhando que o facto de ter mantido grande parte da equipa "significa continuidade a nível político".

Trabalho, sul e juventude, garantiu o primeiro-ministro, são as palavras-chave do novo governo, que pretende continuar as reformas económicas de Renzi, apostar na criação de emprego e apoiar as regiões menos desenvolvidas do país.

Paolo Gentiloni, que era o responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, foi escolhido para ocupar o lugar de primeiro-ministro deixado vago pela demissão de Renzi. O ex-chefe do governo decidiu sair depois de 59% dos italianos terem rejeitado no referendo de 4 de dezembro as mudanças constitucionais defendidas pelo executivo.

O terrorismo também esteve presente nas palavras do novo líder do governo. Gentiloni disse que se sentiu orgulhoso quando telefonou à chanceler alemã Angela Merkel para lhe contar que a polícia italiana tinha encontrado Anis Amri, o suspeito da autoria do atentado em Berlim, perpetrado a 19 de dezembro. "Não há países sem risco" de terrorismo, sublinhou Gentiloni. Tendo isso em conta, o primeiro--ministro entende que é fundamental a aposta na prevenção. "A radicalização acontece em nossa casa, nas nossas prisões, nos nossos bairros e essa é a origem de muitos atentados." Anis Amri, o homem que a polícia abateu no dia 23, ter-se-á radicalizado durante os quatro anos de pena que cumpriu em Itália, depois de ter chegado a Lampedusa, em 2011, vindo da Tunísia.

Gentiloni, na conversa com os jornalistas, disse ainda confiar num debate "produtivo e eficaz" com as autoridades europeias para resolver a situação no banco Monte dei Paschi di Siena (MPS). "O principal objetivo é proteger os depositantes", reiterou o chefe do governo.

Tal como explica a agência Lusa, o MPS espera por uma intervenção estatal que lhe permita resolver os problemas de liquidez. Essa intervenção decorrerá com supervisão do Banco Central Europeu.

A lei eleitoral é outra das questões que Itália terá de resolver nos próximos meses. "O governo tentará facilitar a discussão entre os partidos e o Parlamento", mas não fará uma proposta sobre o assunto.

A atual lei eleitoral para a Câmara dos Deputados, denominada Italicum, está em vigor desde 6 de maio de 2015 e prevê que o partido que consiga 40% dos votos tenha direito a um prémio, subindo para 55% e ficando assim com 340 deputados, o que equivale a uma maioria absoluta no Parlamento, composto por 630 lugares. Mas está em curso um processo de avaliação da constitucionalidade do documento e o tribunal apenas se pronunciará a 24 de janeiro. Além da possibilidade de os juízes chegarem à conclusão de que a Italicum não respeita a Lei Fundamental, acresce outro problema. Este diploma regula apenas o sistema eleitoral para a Câmara dos Deputados. A eleição do Senado continua a ser regida pela lei anterior, a Consultellum. Isto faz que neste momento haja uma lei para cada Câmara, o que coloca em causa o bicameralismo perfeito, uma característica essencial do sistema político italiano.

Paolo Gentiloni referiu ainda que espera usar a presidência italiana do G7 durante o próximo ano para colocar em cima da mesa a questão do Mediterrâneo, "que não pode continuar a ser um mar de ninguém", e para tentar normalizar as relações com a Rússia. "Não se trata de abdicar dos nossos princípios, mas é errado voltar aos tempos da Guerra Fria", sublinhou o sucessor de Matteo Renzi.

Sobre a longevidade do atual governo, o primeiro-ministro sublinhou que continuará no cargo enquanto mantiver a confiança do Parlamento. A menos que sejam antecipadas, as eleições estão marcadas para 2018. Matteo Renzi, que continua na presidência do Partido Democrático, deverá tentar o regresso ao Palácio Chigi.

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