Panorama da extrema-direita em países da União Europeia

Panorama dos principais partidos de extrema-direita na União Europeia, depois da segunda volta das eleições presidenciais em França, nas quais Marine Le Pen obteve cerca de 35% dos votos.

Marine Le Pen, presidente do Partido Frente Nacional (FN), criado em 1972 pelo seu pai, Jean-Marie, falhou, tal como ele, a eleição na segunda volta das presidenciais francesas, mas obteve uma votação muito superior, na ordem dos 35% dos votos.

Depois de uma campanha focada na saída do euro, a restauração das fronteiras nacionais e da redução da imigração, Marine alcançou 7,6 milhões de votos no primeiro turno (21,3%), um resultado inédito para a FN. Nas eleições de hoje, a candidata da extrema-direita terá alcançado os 11 milhões de votos.

Em 2002, Jean-Marie Le Pen também tinha avançado para o segundo turno das eleições presidenciais, mas foi derrubado por Jacques Chirac, eleito com 82,21%.

Na Holanda, o Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, (anti-islâmico) tornou-se a 15 de março a segunda força do parlamento, atrás dos liberais, com 20 lugares em 150, mais cinco eleitos do que nas legislativas em 2012.

O Jobbik (Movimento para uma Hungria Melhor), chefiado por Gabor Vona, é a segunda força do parlamento húngaro, com 24 deputados.

Confrontado com a dura linha anti-imigração e autoritária do primeiro-ministro conservador, Viktor Orban, o Jobbik abandonou posições violentamente racistas e antissemitas para se concentrar em corrupção, saúde e educação.

O Partido para a Liberdade da Áustria (FPÖ), fundado em 1956 por antigos nazis, tem 38 eleitos no parlamento nacional.

Em dezembro de 2016, na segunda volta das presidenciais, o candidato do FPÖ não conseguiu tornar-se no primeiro Presidente da extrema-direita num país da União Europeia.

A Alternativa para a Alemanha (AFD), partido populista anti-imigração fundado em 2013, aproxima-se da extrema-direita e ambiciona, nas eleições legislativas de 24 de setembro, ser o primeiro partido da direita mais dura a entrar para o Bundestag desde 1945.

A Liga do Norte, antigo movimento separatista em Itália, foi transformado, sob a liderança de Matteo Salvini, desde o início de 2014, num partido anti-euro e anti-imigrantes.

Em dezembro de 2016, Salvini fez campanha, com sucesso, pelo "não" no referendo sobre a revisão constitucional que levou à queda do Governo liderado por Matteo Renzi.

Apesar de ter a sua implantação no sul de Itália, a Liga do Norte ganhou 18 cadeiras na câmara dos deputados nas eleições legislativas de 2013.

O Vlaams Belang (VB, Interesse Flamengo) defende a independência da Flandres, província de língua holandesa da Bélgica. O partido ocupa desde junho de 2014 três dos 150 assentos na câmara dos representantes, mas está a perder terreno, com o seu eleitorado a ser atraído para o partido nacionalista Nova Aliança Flamenga (N-VA).

Na Grécia, o Aurora Dourada, o partido xenófobo e neonazi de Nikos Michaloliakos, conseguiu um novo sucesso eleitoral nas eleições parlamentares de setembro de 2015, com a re-eleição de 18 deputados.

No entanto, em março o partido perdeu o lugar como terceira formação política para o PASOK após a saída de uns dos eleitos. Treze deputados do Aurora Dourada estão a ser julgados, há dois anos, por formarem um "grupo criminoso".

Os Democratas da Suécia (SD) obtiveram um avanço histórico em setembro de 2014, tornando-se a terceira força do país, com 13% dos votos. O partido conta com 48 de 349 assentos no parlamento, após a exclusão, no início de fevereiro, uma deputada por antissemitismo.

Criado em 1998 e presidido por Jimmie Åkesson, este partido nacionalista e anti-imigração distanciou-se de grupos racistas e violentos, muito ativos na década de 1990.

A Nossa Eslováquia (LSNS), partido neonazi presidido por Marian Kotleba, lançado em 2012, beneficiou da crise migratória na Europa e dos medos causados entre alguma população para entrar para o parlamento, em março de 2016, conquistando 14 dos 150 assentos.

Os nacionalistas búlgaros entraram em terceiro lugar para o parlamento, em março passado, no seio da coligação dos "Patriotas Unidos" que obteve quatro lugares, dos quais dois de vice-presidentes.

Abertamente hostis em relação às minorias turcas e ciganas, imigrantes e homossexuais, os "Patriotas Unidos" são no entanto pró-União Europeia e pró-NATO.

A coligação é composta por três formações, entre as quais a União Nacional Ataque (Ataka), que surgiu em meados dos anos 2000 com uma retórica agressiva: "A Bulgária para os búlgaros".

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