Fotos e cuecas para alertar para a violência contra as mulheres

Uma exposição contra a violência sexual e a violência contra as mulheres pede o fim do silêncio que condena as vítimas no Brasil

420 cuecas espalhadas pela praia de Copacabana. Cada uma simboliza uma mulher e ao todo representam o número de mulheres violadas no Brasil a cada 72 horas. As mulheres, essas, aparecem com a boca tapada por uma mão vermelha. É assim o último protesto organizado no Brasil para denunciar a violência contra as mulheres.

O ato foi planeado pela Rio de Paz, uma organização não governamental que pretende alertar a população sobre a importância de denunciar e rejeitar o assédio e de não culpar a vítima.

Estima-se que por ano sejam abusadas sexualmente cerca de 50 mil mulheres no Brasil. O fundador da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirmou à Agência Brasil que o número de vítimas deve ser, na realidade, muito maior, pois grande parte das vítimas não apresenta queixa.

"Acredita-se até que 50 mil casos sejam apenas 10% do número real de mulheres que já sofreram essa atrocidade", explicou o fundador. "É uma patologia social".

Para demonstrar o sofrimento das vítimas, que por vezes preferem não contar o que aconteceu para evitar represálias e a rejeição dos outros, foi também exibida na praia de Copacabana a exposição fotográfica "Não me Calarei", de Márcio Freitas.

Márcio Freitas fotografou 20 vítimas de violação e confessou que realizar este trabalho foi "muito doloroso"."Eram muitas meninas e mulheres com diversas histórias tristes, marcadas pela dor dessa violação", contou.

A dada altura, a mãe do fotógrafo quis participar no projeto porque ela já tinha sido vítima de uma tentativa de violação dentro de um táxi.

"Eu senti-me muito mal pelo facto de ser homem e estar ali diante delas, porque, querendo ou não, tu acabas por representar o agressor, mesmo não sendo", afirmou o fotógrafo.

"Pior ainda, é e foi para elas terem de se expor dessa maneira. Mas foi um trabalho muito bonito, onde todas conseguiram expor raiva e medo desse cenário", continuou Márcio Freitas, que explicou que o objetivo da exposição é criar um debate para que as novas gerações não cometam os mesmos erros que a sua.

Bárbara Neves, uma das modelos, disse que o ato não se refere apenas ao episódio da jovem de 16 anos que foi violada por 33 homens no mês passado, mas a todos os casos e tipos de violência contra as mulheres.

"Nós mulheres convivemos com um medo constante de sofrer algo". Para a jovem, é importante falar sobre a violência contra as mulheres pois qualquer uma pode ser a próxima vítima. "Nós não conseguimos andar na rua sem sermos ameaçadas, ouvirmos um piropo ou ser alvo dos olhares de um homem", explicou. "Isso tem de mudar".

Segundo a polícia brasileira, a adolescente de 16 anos vítima de violência sexual não denunciou o caso imediatamente à polícia porque foi ameaçada pelos traficantes que a atacaram. Mas, além disso, a jovem confessou no Facebook que não o fez pois tinha medo de ser "julgada" pelos outros.

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é violada a cada 11 minutos no país e, em 2014, 47.636 pessoas sofreram uma agressão sexual.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada cinco mulheres com menos de 18 anos no mundo já foi vítima de estupro ou abuso sexual. A organização relata que uma em cada três mulheres já experimentou violência física e/ou sexual por parte de seus companheiros. Além disso, 7% das mulheres foram alvo de violência sexual por desconhecidos e 50% delas se envolveram em uma disputa física com seus parceiros.

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