Foi baleado enquanto ajudava outros durante o tiroteio em Las Vegas. Salvou 30 pessoas

Homem de 30 anos poderá ter de viver para sempre com uma bala alojada no corpo

A fotografia de Jonathan Smith na sala de espera de um hospital em Las Vegas está a tornar-se viral nas redes sociais e o norte-americano já foi apelidado de herói. Isto porque Smith salvou cerca de 30 pessoas durante o tiroteio que fez 59 mortos na madrugada de segunda-feira em Vegas, mesmo tendo sido baleado.

A bala atingiu Smith na zona do pescoço e os médicos acreditam que, por agora, o melhor é deixá-la no mesmo sítio, para evitar danos maiores.

"Posso ter de viver com esta bala para o resto da minha vida", disse o reparador de máquinas fotocopiadoras ao Washington Post.

O homem de 30 anos foi baleado enquanto ajudava um grupo de raparigas a refugiar-se dos tiros. Antes disso, Smith já tinha ajudado dezenas de pessoas a fugirem das balas, que pareciam "vir de toda a avenida".

O californiano tinha ido ao festival de música country com a família para celebrar o 43.º aniversário do irmão. Quando o tiroteio começou, durante a atuação de Jason Aldean, Smith pensou que tinha sido lançado fogo-de-artifício.

Só quando o músico saiu a correr do palco e as luzes foram apagadas, é que Smith e a família perceberam que se tratava de um tiroteio. A primeira preocupação de Smith foi colocar as sobrinhas de 17, 18 e 22 anos em segurança. Pediu a todos os membros da família para darem as mãos e correrem, mas houve uma debandada, e acabaram por separar-se.

Smith voltou então atrás, em direção ao palco, para procurar pelas sobrinhas e viu pessoas que estavam paralisadas pelo medo ou mal abrigadas. "Vamos! Temos de correr. Há um atirador em ação", gritou Smith, levando o máximo de pessoas que conseguiu até a um parque de estacionamento mais afastado do local.

No estacionamento, as pessoas esconderam-se por trás de carros. Foi quando Smith viu as raparigas que não estavam bem abrigadas e tentou ajudá-las.

"Não conseguia sentir nada no meu pescoço. Tinha uma sensação quente no braço", contou Smith, descrevendo o momento em que foi baleado. "Eu realmente não queria morrer".

A bala deixou Smith com a clavícula fraturada, uma costela partida e uma contusão pulmonar. Um agente da polícia que estava de folga ajudou a estancar a hemorragia e pediu ajuda a quem passava, até que Smith foi colocado numa carrinha e levado para o hospital, assim como outros feridos que estavam no concerto.

O agente disse várias vezes a Smith que ele ficaria bem, tal como Smith tinha dito minutos antes às dezenas de pessoas que ajudou, segundo o Washington Post.

O homem, que tem três filhos, não se considera um herói e diz que fez o que gostaria que alguém fizesse por ele. "Ninguém merece perder a vida por ir a um festival de country", afirmou. Diz também que é um dos sortudos por conseguir sair do hospital pelo próprio pé.

A família de Smith está agora a pedir ajuda para pagar as despesas médicas e criou uma angariação de fundos. Esta terça-feira, tinham sido doados já cerca de 5500 dólares, cerca de 4600 euros.

Morreram 59 pessoas no tiroteio de domingo em Las Vegas e outras 527 ficaram feridas. Face aos números, este foi considerado o tiroteio mais mortífero da história moderna dos Estados Unidos.

O autor do massacre, Stephen Paddock, tinha 23 armas e dois dispositivos para tornar automáticas armas semiautomáticas no quarto do hotel Mandalay Bay, de onde disparou centenas de munições sobre as pessoas que assistiam ao festival de música 'country' Route 91 Harvest Festival.

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