Flávio Bolsonaro prestou depoimento em caso de corrupção

Interrogatório ao senador acusado de desviar 2,3 milhões de reais aconteceu na tarde de terça-feira, enquanto o país estava distraído com o teste positivo para covid-19 do seu pai, o presidente da República Jair Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro prestou depoimento ao ministério público ao longo de terça-feira a propósito da investigação sobre a "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O primogénito do presidente Jair Bolsonaro é acusado de liderar uma organização criminosa que desviou e lavou cerca de 2,3 milhões de reais em salários dos seus assessores.

O interrogatório era aguardado desde janeiro de 2019. De então para cá o senador foi-se recusando a ser ouvido até mudar a estratégia nos últimos dias e decidir falar.

Feito por video-conferência, o depoimento de Flávio passou quase despercebido na imprensa, ocupada com as implicações do anúncio do teste positivo a Covid-19 de Jair Bolsonaro no mesmo dia.

A investigação a Flávio começou ainda em 2018, quando o órgão de controlo de atividades financeiras no Brasil encontrou movimentos estranhos nas contas bancárias de Fabrício Queiroz, assessor do então vereador do Rio.

A suspeita é que Queiroz servisse de operacional de Flávio num esquema conhecido como "rachadinha" que consiste em desviar dinheiro do salário de assessores fantasma. Esse dinheiro público desviado era então lavado num loja de chocolates propriedade do primogénito de Jair Bolsonaro.

Entre os assessores fantasma, constam familiares de Queiroz e de Adriano da Nóbrega, líder da milícia Escritório do Crime, entretanto assassinado em fevereiro deste ano.

Queiroz, cujo paradeiro era desconhecido ao longo de dois anos, foi detido no final de julho na casa de Fred Wassef, advogado de Flávio e Jair Bolsonaro.

Márcia Aguiar, a mulher do operacional e considerada peça chave do esquema, está foragida desde então.

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