Febre do Pokémon Go deixa Médio Oriente desconfortável

Autoridades do Egito acreditam que o jogo pode ser uma ferramenta de espionagem e pedem que seja banido. Receios multiplicam-se pela zona

O fenómeno do Pokémon Go não parece ter fronteiras. O jogo está agora disponível em 35 países e, apenas duas semanas depois de ter sido lançado, tornou-se um sucesso sem comparação.

Este sucesso, no entanto, não está a agradar a todos. Alguns países do Médio Oriente demonstraram algum desconforto com a rápida propagação do Pokémon Go e o crescente número de utilizadores, pois acreditam que o jogo pode revelar-se uma ameaça à segurança nacional.

No Egito, o chefe adjunto da comissão da comunicação, Ahmed Badawi, chegou a pedir às autoridades nacionais que o jogo seja totalmente banido do país, pois provoca a exposição de alguns locais vitais para o estado, segundo a Aljazeera.

Caso tal não seja possível, Badawi pede que sejam instalados bloqueadores de telemóveis e de ligação à internet em pontos-chave e edifícios importantes do Egito, para impedir que os utilizadores captem e divulguem informações nestas áreas sensíveis. O responsável pela comunicação também teme que sejam gravados e emitidos em direto vídeos que possam comprometer a segurança dos locais.

Hamdi Bakheet, membro da comissão de defesa e segurança nacional partilha das mesmas preocupações e acredita que o jogo é uma aplicação que, "sob o pretexto de entretenimento" e de uma "maneira inocente", quer "espiar pessoas e o estado".

Pokemon Go é a mais recente ferramenta usada por agências de espionagem na guerra pela informação, uma aplicação desprezível que tenta infiltrar-se nas nossas comunidades

O vice-reitor da Universidade de Al-Azhar do Egito, Abbas Shuman, desaconselhou os jovens muçulmanos a jogarem Pokémon Go pois podiam ficar viciados no jogo e este vício é igual ao alcoolismo. Mais tarde, Abbas Shuman negou alguma vez ter feito estas declarações.

Na Arábia Saudita, a Comissão de Comunicação e Tecnologia da Informação do rei alertou para os perigos do jogo. Na televisão estatal, o serviço de comunicação oficial do monarca avisou que o Pokémon Go e outras aplicações parecidas dão a localização geográfica dos utilizadores aos mal-intencionados e criminosos.

A comissão avisou ainda que o jogo facilita os ataques informáticos pois permite que hackers invadam a privacidade dos utilizadores

O Pokémon já tinha causado alguma polémica na Arábia Saudita. Em 2001, os desenhos animados foram banidos da televisão a pedido de Yousef Qaradawi, um dos líderes da Irmandade Muçulmana, por serem considerados "anti-islâmicos".

O ministério da Comunicação do Kuwait emitiu uma mensagem parecida, alertando para os perigos dos Pokémon Go.

Apenas duas semanas após o lançamento do Pokémon Go, o valor das ações da Nintendo, empresa criadora do jogo, duplicaram e a marca está agora avaliada em 39 mil milhões de euros, ultrapassando o criador da Playstation e tornando-se na maior empresa de tecnologia do Japão, segundo a Sky News.

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