Famílias inteiras, recém-casados, estudantes, 15 crianças... As vítimas do desastre aéreo

Há 15 crianças entre as vítimas mortais. Algumas morreram com os pais, como foi o caso de uma família sueca e duas canadianas-iranianas. Um britânico morreu com a mulher - estavam casados há um mês.

Há famílias inteiras que morreram na queda do avião Boeing 737-800 em Teerão. Um casal sueco e os dois filhos crianças e outro casal canadiano, de origem iraniana, e as duas filhas menores estão entre as 178 vítimas mortais do acidente com o avião ao serviço da Ukraine International Airlines que descolou na quarta-feira de madrugada com destino a Kiev. Outro casal viajava com a filha de um ano. Há também o caso de um jovem casal britânico que estava numa segunda lua-de-mel: tinham casado há um mês em Inglaterra. No Canadá muitas das vítimas eram professores e estudantes. Entre os 176 passageiros, estavam 82 iranianos, 63 canadianos, 11 ucranianos, dez suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos de acordo com informações avançadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vadym Prystaiko.

Na Suécia, além dos dez nacionais, há outras sete pessoas que residiam ou trabalham no país, de acordo com a imprensa local. Entre as vítimas está uma família: Raheleh e Mikael Lindberg, 37 e 40 anos, morreram junto aos dois filhos, Erik, nove, e Emil, sete anos. Viviam em Estocolmo. Segundo o jornal Aftonbladet, há ainda outra vítima menor, uma rapariga de 15 anos.

No Canadá, chora-se a morte de 63 passageiros com nacionalidade canadiana e de vários outros (a maioria iranianos) que residem ou estudam em várias cidades do país. Entre os casos de vítimas canadianas, com origens iranianas, está também uma família constituída por um casal e duas filhas. Mojgan Daneshmand e Pedram Mousavi eram professores na Universidade de Alberta e viajavam com as duas filhas menores, Daria e Dorina. Eram "o casal mais feliz que eu já conheci na minha vida", disse o amigo Nooran Ostadeian, citado pelo Toronto Star.

Um outro casal morreu com a filha ainda criança. Evin Arsalani, 30 anos, viajou até ao Irão para assistir a um casamento, acompanhada pelo marido, Hiva Molani, 38, e a filha de um ano, Kurdia, contou Omid Arsalani, irmão de Evin à rádio pública do Canada, recordando que tinha falado com ela antes do voo. "Estava feliz, viu membros da família, pessoas que não via há anos", disse.

Também o corretor de imóveis Iman Ghaderpanah, residente em Toronto, estava no avião, viajando com a sua mulher Parinaz Ghaderpanah. Tinham estado de férias no Irão, disse Sam Green, proprietário de uma agência imobiliária. "Eram apenas um jovem casal e estavam a construir uma vida juntos."

Entre as vítimas mortais do Canadá estão vários estudantes universitários. Um porta-voz da Universidade de Waterloo confirmou que os alunos Marzieh Foroutan e Mansour Esnaashary Esfahani estavam entre os passageiros. Foroutan era aluno do departamento de geografia da universidade, enquanto Esfahani estudava engenharia civil.

A Universidade de Guelph também confirmou que dois dos seus alunos de doutoramento morreram na queda do aparelho ao serviço da Ukrania Airlines. Eram Ghanimat Azhdari, do departamento de Geografia, e Milad Ghasemi Ariani, que fazia doutoramento em Marketing e Estudos do Consumidor.

Ganhimat tinha ido visitar a família ao Irão, como contou um dos seus professores no Twitter.

Na zona de Edmonton, lamenta-se a morte de 27 pessoas da comunidade iraniana-canadiana. Payman Parseyan, membro da comunidade, disse à emissora CBC que conhecia muitas pessoas que seguiam avião. "Havia 27 deles no total da nossa comunidade", disse Parseyan, acrescentando que entre as vítimas há um médico, um estudante de medicina e outro de psicologia clínica.

A Universidade de Toronto também já admitiu através do Twitter que entre as vítimas mortais do acidente há pessoas que estudavam nas suas faculdades.

Uma delas era Zeynab Asadi Lari. Estudante de Ciências na mesma universidade que o irmão, Mohammed, de 24 anos, também ele vítima do acidente. Aos 21 anos, Zeynab estava a regressar a Toronto "com boas notícias", explica uma colega à BBC, sem esconder as lágrimas. "Vinha dizer-nos que ia casar. Ia formar-se este semestre. Ela estava cheia de sonhos. E agora desapareceram", lamentou a jovem.

De Toronto também era Sheyda Shadkhoo. De férias no Irão, onde fora visitar a mãe e as irmãs, antes de embarcar ligou ao marido no Canadá. "Falei com ela 20 minutos antes de o avião levantar voo", explicou Hassan Shadkhoo à CBC, a televisão canadiana. Segundo ele a mulher estava preocupada com a tensão crescente entre o Irão e os EUA e e queria que ele lhe dissesse que ia correr tudo bem.

Antes de deixar o Irão Sheyda colocou no Instagram uma selfie a manifestar a sua preocupação: "Vou embora mas o que deixo para trás preocupa-me. O que deixo para trás. O que deixo para trás. Tenho medo pelas pessoas que deixo para trás", escreveu.

Casados há um mês

Os três britânicos já estão identificados, segundo o Daily Mail. Um é Saeed Tahmasebi, de 35 anos, engenheiro civil em Londres. Refere o diário britânico que Saeed tinha nacionalidade britânica há 14 anos. Casou com Niloofar Ebrahim há um mês e ambos tinham passado uns dias em Teerão para celebrar o casamento com familiares e amigos.

Outra vítima é Mohammad Reza Kadkhoda-Zadeh, de 40 anos, e pai de uma menina de nove anos. Era chefe de uma empresa de limpeza e tinha ido visitar a família. Sam Zokaei, engenheiro da BP, de 42 anos, é também uma das vítimas mortais, com a BP, onde trabalhava há pelo menos quatro anos, a confirmar a morte do funcionário em comunicado.

Dos onze ucranianos, a maioria fazia parte da tripulação, só duas mulheres eram passageiras. Valeriia Ovcharuk, 28 anos, e Mariia Mykytiuk, 24, estavam entre os tripulantes de bordo que morreram.

Valeria tinha colocado no seu Instagram uma imagem sua, tirada em Banguecoque, onde escreveu "Amo o meu trabalho."

Maria também usava o Instagram onde muitos amigos prestam agora homenagem.

Ihor Matkov era comissário do voo PS752, tal como Kateryna Statnik, Yuliia Solohub e Denys Lykhno, de acordo com informações da companhia aérea. Três pilotos estavam a bordo no momento do acidente: o comandante Volodymyr Gaponenko, o oficial Serhii Khomenko e Oleksiy Naumkin. Os três tinham entre 7600 e 12000 horas de voo de experiência, segundo a companhia ucraniana.

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