Falso padre dá missas de Natal no Brasil e desaparece

Jovem de 18 anos, que chegou a ouvir confissões, foi muito elogiado pela forma como conduziu as celebrações de Natal. Diz-se de "consciência tranquila"

Um jovem de 18 anos apresentou-se como sacerdote na cidade balnear de Imbé, no Rio Grande do Sul, o estado mais meridional do Brasil, conduziu as missas da noite de Natal e da manhã de dia 25 na Capela de Santo Antonio de Pádua, recebeu muitos elogios dos paroquianos, mas acabou por desaparecer dias depois quando a sua identidade começou a levantar suspeitas. A população já apresentou uma queixa na polícia por falsa identidade.

"Não entendemos porque ele fez isso, enganou todo o mundo mas não ganhou nada com isso, foi uma pena porque adoramos as missas que ele deu, o meu marido, que não gosta de missas, ficou encantado", disse ao jornal Zero Hora, o maior do Rio Grande do Sul, a coordenadora da capela Vera Hahn, de 62 anos.

O padre que costuma celebrar as missas em Imbé durante o Natal não pode desta vez estar presente, para desgosto da comunidade. Mas caiu do céu uma solução inesperada: um jovem sacerdote estava a passar o Natal na casa de um amigo seminarista na cidade balnear.

"Conheci-o há poucos dias enquanto ele estava a rezar uma missa em Criciúma [cidade no estado vizinho de Santa Catarina], ele meio que se ofereceu para vir aqui passar uns dias com a minha família e rezar uma missa no Natal", conta o seminarista. Uma familiar do seminarista revela que se chegou a confessar com o falso padre: "Sinto-me muito dececionada porque gostava muito do moço, tenho pena dele, talvez sonhe em ser padre, confesso-me no final de cada ano e este ano a minha confissão não teve nenhuma validade".

Uma ou outa atitude do falso padre levantou suspeitas: bebeu uma mini-garrafa de ice vodka e esqueceu-se de consagrar as hóstias e de um ou outro pormenor litúrgico. Depois disse que não tinha nenhuma identificação consigo, quando lhe foi solicitada pela coordenadora da capela, e desapareceu.

A sua identidade, no entanto, é Luiz Eduardo Santos Gergis, tem 18 anos, é membro de uma família muito católica e já celebrou missas falsas noutros pontos do sul do Brasil. Na sua página de Facebook tem mensagens religiosas, fotos com amigos, em viagens e de camiões.

Em rápida entrevista ao Zero Hora, Gergis negou ter estado na capela em causa, desmentiu que as fotos que a reportagem tinha em seu poder fossem naquele local, disse estar de "consciência tranquila" e despediu-se com um "que a paz de Deus esteja contigo".

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