Europa pode esperar cinco mil migrantes por dia este inverno

ACNUR admite chegada de mais 600 mil pessoas à Europa até fevereiro. Comissão Europeia refere que, até 2017, três milhões de migrantes e refugiados chegarão ao continente

Migrantes e refugiados vão continuar a chegar a solo europeu durante este inverno a uma razão de cinco mil pessoas por dia, vindas sobretudo através da Turquia, alertou ontem o ACNUR, agência da ONU para os refugiados, liderado por António Guterres. Esta previsão significa que pelo menos 1 milhão de pessoas terá fugido este ano para o continente europeu. No mesmo dia, outras previsões, as da Comissão Europeia, estimaram que, até ao ano de 2017, deverão chegar à Europa três milhões de migrantes e refugiados.

"Precisamos de estar preparados para a possibilidade de até 5 mil pessoas chegarem todos os dias, desde agora, até fevereiro. Se for mesmo esse o caso, estamos a falar de mais de 600 mil refugiados e migrantes a chegar à Europa entre novembro e fevereiro", disse o porta-voz do ACNUR William Spindler, à Reuters TV, numa altura em que 760 mil pessoas já atravessaram o mar Mediterrâneo este ano, chegadas, sobretudo, através da Grécia e de Itália. E vindas sobretudo da Síria, do Afeganistão, do Iraque ou de países de África.

No mesmo dia em que o ACNUR lançou estes números, a Comissão Europeia previu a chegada de 1 milhão de migrantes e refugiados este ano, de 1,5 milhões em 2016 e meio milhão em 2017. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, sugeriu mesmo que o fluxo de migrantes poderá fazer crescer a economia da União Europeia.

Haverá um pequeno impacto, mas positivo, no crescimento da União Europeia, como um todo

"Haverá um pequeno impacto, mas positivo, no crescimento da União Europeia, como um todo, que fará subir o produto interno bruto de 0,2 para 0,3% em 2017", notou o responsável, em conferência de imprensa, acrescentando que estes dados podem "combater um certo número de ideias feitas" e defender a política da Comissão de apoio a migrantes. Bruxelas notou que a chegada de 3 milhões de pessoas até 2017 significará um aumento da população de 0,4%, tendo em conta que alguns requerentes de asilo não terão direito ao estatuto de refugiado.

Noutro sentido apontaram ontem também as previsões do Banco Europeu de Reconstrução de Desenvolvimento - BERD - que sublinharam a forte pressão que esta crise migratória está a provocar sobre os países da linha da frente ou de trânsito, como a Turquia, a Grécia, a Hungria, a Sérvia, a Croácia ou a Eslovénia. "O fluxo maciço gerou tensão sobre os serviços públicos, sobre as finanças governamentais e os mercados laborais", refere o banco, cujas previsões foram citadas pela AFP.

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